Pegou seu RG, seus documentos e partiu. Picotou-os cuidadosamente com a tesoura enquanto ia passeando por seus lugares preferidos e borrifando seus pedacinhos por todo o canto.
Fez das suas digitais um quebra-cabeça que jogou para o ar, não mais esperando alguém que viesse decifrar: pura desesperança. Deixou que o ar espalhasse e perdesse para sempre qualquer vestígio. Não queria mais ser borrão de dedo, nem seqüência de números. Não queria mais limitar suas possibilidades pela grandeza de suas cifras: danificou também seus cartões de crédito, fez dobraduras com as folhas do talão de cheques e fez questão de esquecer a senha do banco. Sua certidão de nascimento virara barquinhos de papel que faziam a diversão das crianças no parque.
Viu-se em poucas horas, fragmentos primitivos de si mesma. Era apenas essência, despida de qualquer civilização.
Olhou-se no espelho e enxergou sua imagem menos nítida. Ainda notava, porém, alguns traços fortes. Tratou então de renunciar a toda idéia sobre si mesma. Deixou-se formatar até virar um disco rígido.
Estava limpa pra começar de novo.
Fez das suas digitais um quebra-cabeça que jogou para o ar, não mais esperando alguém que viesse decifrar: pura desesperança. Deixou que o ar espalhasse e perdesse para sempre qualquer vestígio. Não queria mais ser borrão de dedo, nem seqüência de números. Não queria mais limitar suas possibilidades pela grandeza de suas cifras: danificou também seus cartões de crédito, fez dobraduras com as folhas do talão de cheques e fez questão de esquecer a senha do banco. Sua certidão de nascimento virara barquinhos de papel que faziam a diversão das crianças no parque.
Viu-se em poucas horas, fragmentos primitivos de si mesma. Era apenas essência, despida de qualquer civilização.
Olhou-se no espelho e enxergou sua imagem menos nítida. Ainda notava, porém, alguns traços fortes. Tratou então de renunciar a toda idéia sobre si mesma. Deixou-se formatar até virar um disco rígido.
Estava limpa pra começar de novo.
2 comentários:
nossa que texto foda!
Às vezes é preciso despir-se de toda a vida pra viver a vida
Beijo Dani!
Adoro como você descreve os "normais" da vida...
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