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Tuesday, September 28, 2010

Porque eu não admito falar para um deserto


"C’è così poco di cui si possa parlare, che si dice tutto. Tutto quel che si può... Una volta pensavo... (Pausa. Ripete più forte per farsi sentire per Willie.) Dico che una volta pensavo che avrei imparato a parlare da sola. Intendo con questo, a me stessa. Al deserto. Invece no. No, no!"
Winnie di "Giorni Felici" - opera di teatro di Samuel Beckett

"Existem tão poucas coisas sobre as quais se pode falar, que se diz tudo. Tudo aquilo que se pode... Uma vez pensei... (Pausa. Repete mais alto pra que Willie ouvisse.) Digo que uma vez pensei que tinha aprendido a falar sozinha. Quero dizer com isso, falar pra mim mesma. Pro deserto. Mas não. Não, não!"
Winnie de "Dias Felizes" - peça de teatro de Samuel Beckett



Foi no Teatro Cinque, daquela noite fria em Milão, que assisti com Silvia à minha primeira peça de teatro do absurdo de Samuel Beckett. Me lembro que antes de tomar posto na pequena sala e olhar pro palco, um medo tomava conta de mim. Era meados de fevereiro, e constantes episódios de impaciência italiana alheia me fizeram jurar à minha dignidade que não iria deixar a língua estrangeira me vencer. Não ia desanimar frente às caras feias e atitudes de mal-educação cotidianas.

A peça começou. Meus ouvidos absorviam cada som de cada palavra que era dita. Atenção completa. Comecei a ouvir risadas ao meu redor dos nativos italianos. Mas eu não ri. No início, ainda a dúvida de que talvez eu é que não estivesse entendendo a peça. O que era comédia no riso de toda a platéia, aos meus ouvidos era o drama mais triste encenado. Meus olhos se esgueiraram pela cadeira ao lado só para confirmação e vi que Silvia não ria também. E no final da encenação de 'Giorni felici', Silvia me disse com a seriedade de quem faz teatro:

- todo mundo riu... é porque ninguém nesse lugar entendeu a peça.

E pela primeira vez em Milão, fiquei feliz por não ter rido com os italianos, por mais que as palavras ditas fossem encenadas com a felicidade estampada na voz da atriz. A minha sensibilidade sem idioma tinha vencido a batalha contra a fluência italiana. Eu entendi Beckett. Mas a guerra ainda continuaria, e não.
Eu não desistiria tão fácil assim.

Thursday, September 09, 2010

Durian

Tenho um problema. Dos grandes.
Tentei diversas vezes escrever e não consegui. Fiquei com medo. Pensei, talvez, que minha capacidade de olhar pras coisas e pensar sobre elas tivesse sido extinta. Como quem abre uma janela pra querer refrescar o ar parado de uma sala e acaba por apagar a chama de uma vela por causa do turbilhão de uma corrente de ar que invade o espaço.
Eu precisava mesmo de uma corrente de ar. Mas o que entrou quando abri essa janela foi um tornado. Gigantesco, furioso, que carregava a vida do mistério do universo em seus rodopios. Pronto, pensei. Não tenho mais nem aquela chamazinha que era a única coisa que iluminava todo aquele quarto confuso e desarrumado (mal iluminava, mas ao menos aquela luz amarela permitia ver esboçados vultos). Estou no escuro. Sozinha. Silêncio. Imobilidade.
Sorrio.
Não tenho mais a tarefa de descrever todo aquele tufão. Sei bem que foi um recado da Via Láctea.
Não tem como descrever o indizível.

Tuesday, September 07, 2010

(couch)Surfing


From that moment...

I start to live like some people surf
it's like practice alpinism waiting for its best part:



the avalanche.
.

Thursday, June 24, 2010

a desconhecida

tenho certeza absoluta

de que conheço mais os outros do que esses outros me conhecem.
Se a culpa é toda minha de não ofertar-lhes o entrever...
não sei, não sei,

só sei que tudo isso
esse mundo que pouco conheço e que nada conhece de mim
bem,
isso tudo me faz sentir
sozinha,
sozinha,
sozinha

há tanto tempo, que eu já nem sei

ser estrangeira acaba não sendo tão anormal assim
já estava acostumada a ser alheia na própria pátria

saudades do lar de lugar nenhum...
mas ainda sim
saudades.

Monday, June 07, 2010

Afscheid



Torni in Olanda un po' più brasiliana, lo so. Anch'io rimarrò qui a Milano un po' più olandesa. Dirò "Hallo" contenta di averti conosciuto e mi ricorderò delle nostre jogging nel parco, delle nostre feste, viaggi e anche di quelle momenti che abbiamo pianto insieme. Eri lì per me e io ero lì per te. Adesso torni in Olanda... un po' più brasiliana, francesa, austriaca, tedesca, spagnola... e questa è una delle cose più belle della vita: lasciamo un po' di noi agli altri, mentre portiamo un po' degli altri con noi.

Ci vediamo bella! Grazie... per tutto!
Tot ziens!

Sunday, February 14, 2010

San Valentino


Mesmo comemorado em datas diferentes, o dia dos namorados é igual em qualquer lugar do mundo (penso eu neste dia de cinema, nostalgia e nutella).


ps: se no Brasil o dia dos namorados fosse no meio do carnaval, penso eu que seria mau empreendimento pro comércio e pra publicidade. Viva Santo Antonio!!!

Sunday, February 07, 2010

Bandeirante



Sempre à procura de um exílio daquilo que eu era, eu escolho. Se minhas fronteiras exibem um sinal de perigo, desafio-o. Cutuco com vara curta aquela onça amedrontada dentro de mim. É como se eu vivesse para me irritar.

Acabei no extremo dessa ladainha a encontrar um exílio real, mas oposto:
ao invés de exilar-me de ser quem era, encontrei-me em terras de mim - exilada de tudo o que tinha antes ao meu redor.

Descobri que essas terras de mim nunca tinham sido antes realmente habitadas. Ninguém nem mesmo ousou morar ali por muito tempo nem mesmo pra cartografar a geografia acidentada. Meus olhos correram em volta e sabiam que eu tinha muito trabalho a fazer. Podar árvores selvagens, domesticar cavalos ariscos, e tornar todos aqueles hectares em região habitável. Talvez assim eu mesma tivesse a coragem de morar ali, sem implicar com minhas próprias fronteiras e onças amedrontadas.

E assim parasse de implicar tanto comigo. Por ser assim, uma selvageria bagunçada.

Thursday, January 28, 2010

Descobridor dos sete mares

Cada dia aqui, fora do meu mundo, descubro...

que sou: mais forte do que eu pensava
que posso: ser mais segura do que imaginava um dia conseguir ser
que tenho: capacidade de confortar as pessoas (até mesmo quando sou eu que preciso de colo)
que sei: que a felicidade já é minha desde que nasci


que devo: reassumir o caminho que desisti por medo de estar errada


ah, hoje eu sei de tantas coisas!

Wednesday, January 27, 2010

Uma verdadeira viagem


“Uma verdadeira viagem não tem a ver com os detalhes com os quais você impressiona os amigos quando volta para casa. Tem a ver com solidão, o isolamento, as noites que passa sozinho desejando estar em outro lugar.”

Tahir Shah, “Nas noites árabes“.


de Palavra Aguda

Thursday, January 21, 2010

Parto adesso


Friday, January 01, 2010

In the New Year: Twister


Eu nunca me sinto preparada para o ano novo, suas promessas, seus sonhos em branco e suas lacunas ansiosas por novas histórias. Nesse em especial, sinto-me mais despreparada do que sempre, mas prometo o empenho em improvisar da melhor maneira que puder.

Que venha 2010!
Improvisemos, pois, o melhor que pudermos! - para sempre ficarmos de pé. (de um jeito ou de outro)


Wednesday, December 02, 2009

Aviso aos navegantes

Cuidado com o que você deseja:

pode acabar se tornando realidade.



... o que é uma delícia mesmo!!!


http://vitagirovagata.wordpress.com/

Friday, November 13, 2009

Una battaglia o un carnevale?


Come posso pensare in un'altra lingua? Sono i miei pensieri e miei pensieri sono in portoghese. Lo stesso portoghese di Lispector, Saramago e Bandeira. La lingua che amo, respiro e che sono io.

Io non sono.
I'm not.
No lo soy.



Eu sou.


(straniera di me? Chi sono io? Chi dovrèi essere? Un giorno lo saprò?)

Wednesday, October 21, 2009

Envernizados


De repente caí na armadilha do platonismo de amar um ideal enquanto não fosse possível alcançá-lo. Toda aquela áurea de que se reveste o inalcançável, mal sabia eu, era o mistério a sustentar minha admiração contemplativa e até mesmo minha fúria do desejar.
Quando então as pinceladas concretas da realidade começaram a envernizar aquele sonho tão rogado e implorado

aos deuses,
à sorte,

às simpatias astrológicas
pasmem:

o panorama do quadro esquadrinhava um incômodo friozinho na barriga¹
¹ [vulgo medo]
Mi dispiace, coraggio: sono una ragazza che ha paura!