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Sunday, May 15, 2011

Apelido

Ganhar um apelido é ser batizado para a intimidade. O RG da convivência, o documento que registra o laço. Não se cria ou se inventa o próprio apelido: é como um escapulário - dá azar comprar para si. Deve ser ganhado de alguém. É um presente gerado por um olhar mais atento do outro, ou de uma situação compartilhada. É uma foto feita de palavra: é uma polaroid sonora de um instante
que vira um pouco
-  de nós.

Thursday, April 29, 2010

Sê são




Ela murmurava sim, sim. Baxiiinho, quase inaudível que não se ouvia não. Na verdade é que ela nem pronunciava que era pra não quebrá o silêncio que revestia o momento di importança. Silêncio era o que sonava as corda vocal dela. Falá era só pra urgença, pra socorro. Dava um trabaião era fazê o otro intender a intenção. Interagi não interessava não. Qualqué invasão era quebrada pelo sigilo. Aquele do silêncio que não queria falá: queria era sê são.

Wednesday, November 04, 2009

Impulso


Anda coragem! ... na frente, que eu sigo logo atrás. Olha eu aqui no teu encalço; segue em frente que eu sou toda passos. Ganho teu impulso no pulo ao qual me jogo


ao mundo.

Thursday, October 01, 2009

O posto


É nessa disputa diária que sempre surge a confusão. Conflituosidade ferrenha, a rotina é atordoante e eu já não sei o que fazer. Toda escolha invoca as brigas e eles lutam insistentes pelo palanque da minha atenção. Desfiam seus argumentos opostos, brincam com minhas verdades, bagunçam minha opinião. Jogam com as minhas vontades no embate de suas artilharias. Descobrir minha própria voz acaba sendo difícil no meio da gritaria. Entre o bem e o mal não quero nem os elogios pomposos e nem as condenações severas:

Quero é ser feliz sem medo.

- Sem mesuras e sem reservas.

Sunday, August 30, 2009

Humano

É preciso acreditar. Então acredita que o dia raia, que a planta vive, que o amor reina e tem raiz. Tanta crença nesse mundo estranho onde o homem é só defeito tentando ser perfeição. E o tropeço do passo incerto, o desajuste de ser incorreto, o peso inescapável de tanta solidão.

Também o erro.

Que provém do medo ou então do ego e que é preciso enfrentar. Então enfrenta que o peito alarga, a dor acaba e a mente cresce. O mal fenece e tudo vira mel. Doce existência de um sonho distante, mas tão importante pro que se diz humanidade. Procurando verdades e encontrando perguntas na eterna jornada de se questionar. E se existe um plano, há que se dizer:

humano, demasiado humano.

Wednesday, August 12, 2009

Mártir (ni)

Créditos de imagem: donttouchmymoleskine

Sou o detestável que te dá o colo necessário e assim cubro tua boca, teus olhos e tua dor. Promessas de cura, sou é paliativo: amenizo teu sofrimento disfarçando tuas feridas. Você tem tanta graça assim soprando minha fumaça que até parece forte querida. Toma mais um gole, trague mais um pouco e diga num tom rouco intenções e raridades. Parece até felicidade louca e clandestina que aparece de repente e vai assim rasgando dentes no teu rosto de mulher. Ninguém mais vê por trás do martini os teus olhos de menina, nem percebem nos desvarios algo além de tudo isso. Acompanham tuas risadas e admiram teu estilo e quando resumem sua essência só me citam: vício.

Saturday, August 08, 2009

Movie mentes


A verdade é que a vida é bem simples mas a gente é que não quer. Porque vida simples perde a graça, perde a ação, perde o drama, perde a comédia. E gente cinematográfica adora acontecimentos e não permite coincidências. Pega logo o figurino e se remonta em três atos: amor, trabalho, revolta. São tantos arquétipos e tantas vivências! O que a gente gosta mesmo é da cadência de cada história. Talvez também de uma boa pipoca.