Showing posts with label assim disseram. Show all posts
Showing posts with label assim disseram. Show all posts
Monday, August 24, 2015
Friday, June 26, 2015
Monday, June 02, 2014
Razão de ser (?)
Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso,
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?
Escrevo porque preciso,
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?
Leminski
Marcadores:
assim disseram
Saturday, September 28, 2013
Uma nota para Ulisses
"Existe um ser que mora dentro de mim como se fosse casa dele, e é. Trata-se de um cavalo preto e lustroso que apesar de inteiramente selvagem - pois nunca morou antes em ninguém nem jamais lhe puseram rédeas nem sela - apesar de inteiramente selvagem tem por isso mesmo uma doçura primeira de quem não tem medo: come às vezes na minha mão. Seu focinho é úmido e fresco. Eu beijo o seu focinho. Quando eu morrer, o cavalo preto ficará sem casa e vai sofrer muito. A menos que ele escolha outra casa e que esta outra casa não tenha medo daquilo que é ao mesmo tempo selvagem e suave. Aviso que ele não tem nome: basta chamá-lo e se acerta com seu nome. Ou não se acerta, mas, uma vez chamado com doçura e autoridade, ele vai. Se ele fareja e sente que um corpo-casa é livre, ele trota sem ruídos e vai. Aviso também que não se deve temer o seu relinchar: a gente se engana e pensa que é a gente mesma que está relinchando de prazer ou de cólera, a gente se assusta com o excesso de doçura do que é isto pela primeira vez".
de "Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres"
de Clarice Lispector
de Clarice Lispector
Marcadores:
assim disseram
Wednesday, March 13, 2013
O Valor da Mudança
Qualquer ser humano vivo - minimamente vivo - sabe que a vida é um jogo de forças, um confronto. Sabe que alegria e perda se complementam. Que o ganho não necessariamente é alegria... e que a perda nem sempre é tristeza.
Porque o que não muda está morto. A nossa educação está morta.
Porque o que não muda está morto. A nossa educação está morta.
Marcadores:
assim disseram
Tuesday, March 12, 2013
A minha arma
Sou mulher e escrevo. Sou plebeia e sei ler. Nasci serva e sou livre. Vi coisas maravilhosas em minha vida. Fiz coisas maravilhosas em minha vida. Durante algum tempo, o mundo foi um milagre. Depois a escuridão voltou.
(...)
As boas mulheres rezam. Eu escrevo. É minha maior vitória, minha conquista, o dom do qual me sinto mais orgulhosa; e as palavras, embora estejam sendo devoradas pelo grande silêncio, hoje constituem minha única arma.
(Rosa Montero)
Marcadores:
assim disseram,
escrever
Wednesday, March 06, 2013
Romance
"O amor feliz não tem história na literatura ocidental. A felicidade dos amantes só nos comove pela expectativa da infelicidade que os ronda. Sem sofrimento não há romance. O romance de Tristão e Isolda tornou-se um modelo de todas as histórias de amor até hoje. Os amantes se amam, mas não conseguem superar os obstáculos e serem felizes. Esse é o segredo do sucesso de Tristão e Isolda e foi isso que os poetas europeus da Idade Média descobriram: o amor recíproco infeliz."
− Amor recíproco infeliz não existe. O único sofrimento de amor é não ser correspondido. Eu já sou feliz só por você gostar de mim.
− Ah, mas é muito fácil gostar de você… eu não tenho mérito nenhum nisso.
(...)
− Dá até um pouco de ciúme desse amor de teatro... quem sabe se você não tá representando também comigo?
− Ah mas quando a gente faz uma cena de amor termina amando um pouco o outro personagem. E quando a gente ama alguém de verdade também representa um pouco.
− Ah é?
− Ah... a gente representa o amor que sente por aquela pessoa. Como todo amor é verdade... e representação. Ao mesmo tempo.
Marcadores:
amor,
assim disseram
Sunday, February 24, 2013
Elo
![]() |
| imagem via Michael Oneil |
“O amor acaba”, disse Paulo Mendes Campos, em sua crônica mais bonita; só não disse o que fica no lugar. É na esperança, talvez, de entender essa estranha melancolia, esse vazio preenchido por boas lembranças e algumas cicatrizes, que nos encontramos a cada ano ou dois. Marcamos um almoço num dia de semana. Falamos do passado, mas não muito. Falamos do presente, mas não muito. Há uma vontade genuína de se aproximar e o tácito reconhecimento dessa impossibilidade.
Dois velhos amigos, quando se reveem, voltam no ato para o território comum de sua amizade. Reconstroem o pátio da escola, o Centro Acadêmico, o prédio em que moraram –e o adentram. Em três chopes, refez-se o antigo elo. Para os ex-amantes, no entanto, é impossível restabelecer o elo, o elo morreu com o amor, era o amor. O que sobra é feito um cômodo dentro da gente, cheio de móveis e objetos valiosos, porém trancado. Nesses almoços, estamos sempre no corredor, olhando para a porta fechada. Sentimos saudades do que está ali dentro, mas não podemos nem queremos entrar. Como disse um grego que viveu e amou há 2.500 anos: não somos mais aquelas pessoas nem é mais o mesmo aquele rio.
Ex, por Antonio Prata, na Folha
Marcadores:
amor,
assim disseram
Saturday, February 16, 2013
Para todos os outros satélites
Aquilo que Eddie Vedder disse antes de mim...
Everyone I come across, in cages they bought
Todos que encontro, em gaiolas que compraramEveryone I come across, in cages they bought
They think of me and my wondering, but I'm never what they thought
Eles pensam sobre mim e meus pensamentos, mas eu nunca sou o que eles pensam
I've got my indignation, but I'm pure in all my thoughts
Eu tenho a minha indignação, mas sou pura em todos os meus pensamentos.
I'm alive...
Eu estou viva...
Leave it to me as I find a way to be
Deixe comigo que eu encontro um jeito de ser
Consider me a satellite, forever orbiting
Considere-me um satélite, sempre orbitando
I knew all the rules, but the rules did not know me
Eu conhecia todas as regras, mas as regras não me conheciam
Guaranteed
Garantido
Vale muito a pena checar a letra toda... eu garanto!
Marcadores:
assim disseram,
musica
Sunday, January 27, 2013
Indomável
![]() |
| escultura via Shintaro Ohata |
"Não é porque se sabe de uma coisa que se pode impedi-la; mas temos pelo menos as coisas que averiguamos, se não entre as mãos, ao menos no pensamento, e ali estão à nossa disposição, o que nos inspira a ilusão de exercer sobre elas uma espécie de domínio."
Marcel Proust
No caminho de Swann - pg. 372
Marcadores:
assim disseram,
pensamentos
Monday, January 21, 2013
Vamos nos permitir
![]() |
| imagem via National Geographic |
Precisei atravessar um oceano, riscar meu corpo, colorir meus cabelos. Tive que abandonar seguranças e certezas, amigos e família. Deixei para trás emprego, casa, travesseiro, língua, lembranças e passados que não passavam. Deixei meus amores, tantos que me deixaram um buraco. Deixei minhas paixões, tolas, que só me fizeram ver que o buraco era eu.
Precisei me afastar de tudo o que eu amo para me amar, precisei mudar completamente o que eu sou pra me ser.
Aqui nessa cidade gelada, verde e cinza, planta e prédio, tantas pessoas de tantos lugares. Aqui onde posso confundir domingo e quinta-feira e gastar minha meias no chão de casa. Onde as horas são minhas e as escolhas também. São tantas as novidades todos os dias, novos rostos para novos começos. Tantas línguas e culturas. Tanta gente e tanta solidão.
O momento que era de fim se fantasiou de começo e me permitiu começar. O ano em que tudo acabaria sobreviveu e eu sobrevivi. A vida me chamou, bagunçou meu mundo, virou minha existência de cabeça para baixo, decapitou minha existência. O fim virou começo. E eu me permiti começar.
Verônica Heiss
Marcadores:
assim disseram
Wednesday, January 16, 2013
A felicidade obrigatória
Quantas pessoas são capazes de escolher o afeto em vez de uma carreira brilhante?
(...) Durante muito tempo, também corri atrás de alegrias momentâneas, que se esvairam como fumaça. O modelo de felicidade que está por aí não me atrai. Pode ser difícil, doloroso ou me provocar contentamento. Minha opção é viver os sentimentos mais profundos.
*ótimo texto de Walcyr Carrasco sobre
a felicidade cínica. Leia mais aqui.
Marcadores:
assim disseram,
escolhas
Monday, January 14, 2013
Inspiração
“A impressão que eu tenho é de não ter envelhecido, embora eu esteja instalada na velhice. O tempo é irrealizável. Provisoriamente, o tempo parou para mim. Provisoriamente. Mas eu não ignoro as ameaças que o futuro encerra, como também não ignoro que é o meu passado que define a minha abertura para o futuro. O meu passado é a referência que me projeta e que eu devo ultrapassar. Portanto, ao meu passado eu devo o meu saber e a minha ignorância, as minhas necessidades, as minhas relações, a minha cultura e o meu corpo. Que espaço o meu passado deixa para a minha liberdade hoje? Não sou escrava dele. O que eu sempre quis foi comunicar da maneira mais direta o sabor da minha vida. Unicamente, o sabor da minha vida. Acho que eu consegui fazê-lo. Vivi num mundo de homens guardando em mim o melhor da minha feminilidade. Não desejei nem desejo nada mais do que viver sem tempos mortos.”
Simone de Beauvoir
Marcadores:
assim disseram
Sunday, January 13, 2013
Silêncio
O silêncio permite que haja comunicação, não é uma ausência, não é uma pausa absoluta. Depois, tem essa outra dimensão que é social, do meu lugar. Os africanos olham o silêncio como uma coisa que não é incomodativa. Às vezes, o que eu vejo em outros lugares, quando as pessoas estão num grupo e se cria um silêncio, é que aquilo tem que se resolver, é um vazio. Ali não, o silêncio está cheio de vozes, não existe nunca. O silêncio não é aquilo que parece, não é uma ausência.
(via Carambolas Azuis)
Marcadores:
assim disseram
Tuesday, January 08, 2013
Vísceras
"Escrever um livro é sempre desenterrar, acho eu. As palavras estão em algum lugar bem fundo de nós. Não um fundo que conhecemos, mas aquele lugar sem lugar que fica abaixo do fundo falso que existe em nossos interiores. Desenterrá-las significa arrancar um pouco de sangue dos nossos confins. Um livro é sempre meio ensanguentado, um pouco de vísceras, alguns miolos, um resto que não se sabe se é humano ou alienígena."
(Eliane Brum)
Marcadores:
assim disseram,
escrever
Friday, December 14, 2012
identificação
eu sou uma pessoa legal. não sempre, e não com todo mundo. mas estou aqui fazendo o que posso.
então por que isso não me basta? por que eu vivo nessa busca maluca por aceitação, por compreensão? eu ME entendo. eu sei os motivos que me levam a agir esquisitamente às vezes, a ter reações descabidas. o que não sei é por que me sinto impelida a justificar isso o tempo todo. e me desculpar, e me sentir pequena e despreparada e insignificante ao me dar conta de que na verdade ninguém está se importando com a explicação. em algum momento da vida eu já achei isso libertador, sabe? essa coisa de ninguém se importar ou entender era como uma carta branca para ser o que bem entendesse. eu quero sentir isso de novo. essa leveza. mas sequer sei onde começar a procurar.
por raquel (mas poderia ser eu)
Marcadores:
assim disseram
Tuesday, November 06, 2012
Aceite: nós não temos tempo
Não vai dar tempo.
Você não vai ter tempo de ler aquele livro. Daqui a trinta anos, quando morrer, ele ainda vai estar na sua fila de leitura. Fechadinho.
Aquela mulher? Não deixe pra sair com ela amanhã. Ela vai encontrar outro cara. Vai refazer o coração partido. Vai ser atropelada. Vai se descobrir lésbica.
Ou, talvez, apenas, quem sabe, vai sair da sua.
Quem hoje te beijaria amanhã nem boa noite vai te dar.
O futuro que vocês poderiam ter tido não vai acontecer.
Tudo porque você não foi lá hoje.
Vá lá hoje.
Aquela rua nunca vai ouvir o som dos seus passos. Aquela revista? Nunca mais vai abrir.
“Temos tempo”, ela disse.
Mas é mentira. De propósito ou por ignorância.
Não temos tempo.
A palavra rude que você disse para alguém que não gostava? Peça desculpas hoje.
A palavra carinhosa que você nunca disse para alguém que gostava? Diga hoje.
Você não tem tempo.
Lembra como a vida corria quando você tinha quinze anos?
Pois está correndo hoje.
Sabe aquela sensação quando dá seis da tarde e você pensa:
“Caramba, já acabou o dia… e não fiz nada!”
Você vai sentir o mesmo aos quarenta. Ou aos cinquenta. Ou sempre.
Faça agora.
por Alex Castro
Marcadores:
assim disseram,
escolhas,
viver
Tuesday, October 23, 2012
How old is your soul?
Carta de Bukowski quando finalmente consegue fazer da escrita sua profissão e meio de vida.
---------
You know my old saying, “Slavery was never abolished, it was only extended to include all the colors.”
And what hurts is the steadily diminishing humanity of those fighting to hold jobs they don’t want but fear the alternative worse. People simply empty out. They are bodies with fearful and obedient minds. The color leaves the eye. The voice becomes ugly. And the body. The hair. The fingernails. The shoes. Everything does.
As a young man I could not believe that people could give their lives over to those conditions. As an old man, I still can’t believe it. What do they do it for? Sex? TV? An automobile on monthly payments? Or children? Children who are just going to do the same things that they did?
(...)
They never pay the slaves enough so they can get free, just enough so they can stay alive and come back to work. I could see all this. Why couldn’t they? I figured the park bench was just as good or being a barfly was just as good. Why not get there first before they put me there? Why wait?
(...)
So, the luck I finally had in getting out of those places, no matter how long it took, has given me a kind of joy, the jolly joy of the miracle. I now write from an old mind and an old body, long beyond the time when most men would ever think of continuing such a thing, but since I started so late I owe it to myself to continue, and when the words begin to falter and I must be helped up stairways and I can no longer tell a bluebird from a paperclip, I still feel that something in me is going to remember (no matter how far I’m gone) how I’ve come through the murder and the mess and the moil, to at least a generous way to die.
To not to have entirely wasted one’s life seems to be a worthy accomplishment, if only for myself.
yr boy,
Marcadores:
assim disseram,
escrever,
viver
Tuesday, September 18, 2012
Me encontre logo, por favor
Eu espero alguém que não desista de mim mesmo quando já não tem interesse. Espero alguém que não me torture com promessas de envelhecer comigo, que realmente envelheça comigo. Espero alguém que se orgulhe do que escrevo, que me faça ser mais amigo dos meus amigos e mais irmão dos meus irmãos. Espero alguém que não tenha medo do escândalo
- mas tenha medo da indiferença.
Espero alguém que ponha bilhetinhos dentro daqueles livros que tem certeza que vou ler até o fim. Espero alguém que se arrependa rápido de suas grosserias e me perdoe sem querer. Espero alguém que me avise que estou repetindo a roupa na semana. Espero alguém que nunca desista de conversar
- mesmo quando não sei mais falar.
Espero alguém que, nos jantares entre os amigos, dispute comigo para contar primeiro como nos conhecemos. Espero alguém que goste de dirigir para nos revezarmos em longas viagens. Espero alguém que confie se a porta está fechada e o café desligado, se meu rosto está aborrecido ou esperançoso. Espero alguém que prove que amar não é contrato, que o amor não termina com nossos erros. Espero alguém que não se irrite com a minha ansiedade. Espero alguém que possa criar toda uma linguagem cifrada para que ninguém nos recrimine. Espero alguém que arrume ingressos de teatro de repente, que me sequestre ao cinema, que cheire meu corpo suado como se ainda fosse perfume. Espero alguém que não largue as mãos dadas nem para coçar o rosto. Espero alguém que me olhe demoradamente quando estou distraído, que goste de me telefonar para narrar como foi seu dia. Espero alguém que procure um espaço acolchoado em meu peito quando cansado. Espero alguém que minta que cozinha e só diga a verdade depois que comi. Espero alguém que leia uma notícia, veja que haverá um show de minha banda predileta, e corra para me adiantar por e-mail. Espero alguém que fique me chamando para dormir, que fique me chamando para despertar, que não precise me chamar para amar. Espero alguém com uma vocação pela metade, uma frustração antiga, um desejo de ser algo que não se cumpriu, uma melancolia discreta,
- para nunca ser prepotente.
Espero alguém que tenha uma risada tão bonita que terei sempre vontade de fazer graça. Espero alguém que comente sua dor com respeito e ouça minha dor com interesse. Espero alguém que prepare minha festa de aniversário em segredo
- e crie conspiração dos amigos para me ajudar.
Espero alguém que pinte o muro onde passo, que não se perturbe com o que as pessoas pensam a nosso respeito. Espero alguém que vire cínico no desespero e doce na tristeza. Espero alguém que goste de domingo em casa, de acordar tarde e de andar de chinelos, e que me pergunte o tempo antes de olhar para as janelas. Espero alguém que me ensine a me amar porque a separação apenas ensina a se destruir. Espero alguém que tenha pressa de mim, eternidade de mim,
- que chegue logo, que apareça hoje,
que largue o casaco no sofá e não seja educado a ponto de estendê-lo no cabide. Espero encontrar alguém que me torne novamente necessário.
Marcadores:
amor,
assim disseram,
confesso
Wednesday, July 04, 2012
Tantalia
“Tantalia” é a história de um casal que decide comprar uma plantinha para conservá-la como símbolo do amor que os une. Percebem, tardiamente, que se a plantinha morrer, morrerá com ela o amor que os une. E como o amor que os une é imenso e por nenhum motivo estão dispostos a sacrificá-lo, decidem fazer a plantinha se perder entre uma multidão de plantas idênticas. Depois ficam inconsoláveis, infelizes por saber que nunca mais poderão encontrá-la.
Bonsai
Alejandro Zambra - p. 29
Marcadores:
amor,
assim disseram
Subscribe to:
Posts (Atom)




















