A maioria das pessoas tem medo de mudanças...
eu tenho é medo de que as coisas nunca mudem.
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Wednesday, November 07, 2012
Wednesday, February 23, 2011
A queda da Bastilha
Em um momento se retoma. Às vezes é preciso esperar o próprio tempo, mesmo que ele seja melindroso e teime em prolongar inutilidades. Quem resolveu demolir deve saber esperar e fazer a espera valer o vazio da paisagem na reconstrução. É uma decisão própria. Não se culpa ninguém, mesmo que seja mais fácil. Se olha pra dentro, com dureza no início, porque é preciso extremos às vezes para enxergar melhor por contrastes. Se olha pra dentro com dureza, mas depois se abranda que é pra poder piscar com mais leveza e jeito os dois olhos. E se usa colírios, se olha e analisa as próprias pupilas por espelhos. E aí se mima um pouco com caprichos bobos que é pra fortificar o que quer que esteja meio aquebrantado, meio caído de lado, meio desacreditado. Se concede os absurdos mais idiotas só pra compensar, andando em casa sem chinelos, os pés no chão. Porque mais do que nunca é preciso sentir o chão com a sola dos pés, experimentando. Se recita um poema, se rabisca palavras e desenhos tortos para que só você mesmo veja: um exercício bom do egoísmo, do cultivar um segredo com si próprio
[e se estar íntimo com quem se é.
Monday, September 13, 2010
Friday, January 01, 2010
In the New Year: Twister
Eu nunca me sinto preparada para o ano novo, suas promessas, seus sonhos em branco e suas lacunas ansiosas por novas histórias. Nesse em especial, sinto-me mais despreparada do que sempre, mas prometo o empenho em improvisar da melhor maneira que puder.
Que venha 2010!
Improvisemos, pois, o melhor que pudermos! - para sempre ficarmos de pé. (de um jeito ou de outro)
Friday, November 13, 2009
Una battaglia o un carnevale?

Come posso pensare in un'altra lingua? Sono i miei pensieri e miei pensieri sono in portoghese. Lo stesso portoghese di Lispector, Saramago e Bandeira. La lingua che amo, respiro e che sono io.
Io non sono.
I'm not.
No lo soy.
Eu sou.
(straniera di me? Chi sono io? Chi dovrèi essere? Un giorno lo saprò?)
Wednesday, October 21, 2009
Envernizados

De repente caí na armadilha do platonismo de amar um ideal enquanto não fosse possível alcançá-lo. Toda aquela áurea de que se reveste o inalcançável, mal sabia eu, era o mistério a sustentar minha admiração contemplativa e até mesmo minha fúria do desejar.
Quando então as pinceladas concretas da realidade começaram a envernizar aquele sonho tão rogado e implorado
o panorama do quadro esquadrinhava um incômodo friozinho na barriga¹
¹ [vulgo medo]
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Tuesday, July 07, 2009
Isoptera
Deve ter sido um processo longo e gradual daqueles que a gente nem se apercebe no passar dos dias, porque sempre, sempre, eu olhava o mundo, atravessava a rua, ia ao cinema, escrevia, pegava o ônibus lotado, cansava, ria... eu era assegurada pela rotina do que era ser eu.
Agora eu era alguma outra coisa que não o eu que eu fora. Tinha sido certamente um trabalho de cupim, a comer a madeira por dentro e deixar o de fora lindo, saudável e forte, para então um dia eu acordar e não ser mais eu, assim, bruscamente. Acordar pó por dentro e ver toda estrutura imponente ruir. Já não reconheço mais nada nada nada nada do que era terno. E de repente pareceu que sempre foi assim
bruto, áspero e cor de asfalto velho.
Agora eu era alguma outra coisa que não o eu que eu fora. Tinha sido certamente um trabalho de cupim, a comer a madeira por dentro e deixar o de fora lindo, saudável e forte, para então um dia eu acordar e não ser mais eu, assim, bruscamente. Acordar pó por dentro e ver toda estrutura imponente ruir. Já não reconheço mais nada nada nada nada do que era terno. E de repente pareceu que sempre foi assim
bruto, áspero e cor de asfalto velho.
Tuesday, May 01, 2007
Ficha limpa
Pegou seu RG, seus documentos e partiu. Picotou-os cuidadosamente com a tesoura enquanto ia passeando por seus lugares preferidos e borrifando seus pedacinhos por todo o canto.
Fez das suas digitais um quebra-cabeça que jogou para o ar, não mais esperando alguém que viesse decifrar: pura desesperança. Deixou que o ar espalhasse e perdesse para sempre qualquer vestígio. Não queria mais ser borrão de dedo, nem seqüência de números. Não queria mais limitar suas possibilidades pela grandeza de suas cifras: danificou também seus cartões de crédito, fez dobraduras com as folhas do talão de cheques e fez questão de esquecer a senha do banco. Sua certidão de nascimento virara barquinhos de papel que faziam a diversão das crianças no parque.
Viu-se em poucas horas, fragmentos primitivos de si mesma. Era apenas essência, despida de qualquer civilização.
Olhou-se no espelho e enxergou sua imagem menos nítida. Ainda notava, porém, alguns traços fortes. Tratou então de renunciar a toda idéia sobre si mesma. Deixou-se formatar até virar um disco rígido.
Estava limpa pra começar de novo.
Fez das suas digitais um quebra-cabeça que jogou para o ar, não mais esperando alguém que viesse decifrar: pura desesperança. Deixou que o ar espalhasse e perdesse para sempre qualquer vestígio. Não queria mais ser borrão de dedo, nem seqüência de números. Não queria mais limitar suas possibilidades pela grandeza de suas cifras: danificou também seus cartões de crédito, fez dobraduras com as folhas do talão de cheques e fez questão de esquecer a senha do banco. Sua certidão de nascimento virara barquinhos de papel que faziam a diversão das crianças no parque.
Viu-se em poucas horas, fragmentos primitivos de si mesma. Era apenas essência, despida de qualquer civilização.
Olhou-se no espelho e enxergou sua imagem menos nítida. Ainda notava, porém, alguns traços fortes. Tratou então de renunciar a toda idéia sobre si mesma. Deixou-se formatar até virar um disco rígido.
Estava limpa pra começar de novo.
Monday, March 06, 2006
Sobrevivia subentendida – Apenas uma piada mal formulada.
De repente.
Foi assim, sem mais nem menos que tudo aconteceu, que toda aquela mudança revolucionou. E ela que nunca fora de mudar, que sempre invejara as lagartas rastejantes que ganhavam coloridas asas... agora ela própria havia se metamorfoseado.
Não ganhara asas. Não mesmo.
A transformação não mudou sua locomoção. Mudou seu jeito de rastejar, de caminhar, de tropeçar... agora já aparentava uma certa dignidade depois da queda.
Mas ela não tinha caído. Não mesmo.
Apenas se dera conta que nunca tinha aprendido a andar. Agora dava seus primeiros passos sobre duas pernas. Não tinha asas, mas agora não precisava mais rastejar. Não voaria, mas os passos vacilantes e trôpegos já eram uma conquista de olhos arregalados.
Olhos.
Antes ela olhava pra fora. Talvez em busca de alguma coisa que nem ela sabia direito. Hoje seus olhos não estavam voltados para fora. Hoje ela trazia seus olhos voltados pra dentro, como se vigiasse alguma coisa importante (um tesouro talvez?), algum fenômeno mágico.
Se os outros percebiam a diferença, não se sabe. Geralmente os olhos voltados para dentro dificilmente deixam transparecer alguma coisa. Não porque tenham a falsidade das janelas com vidros opacos. Não. Apenas eram como janelas abertas com cortinas esvoaçantes que ocultam sei-lá-o-quê de importante; e as cortinas ocultavam com uma docilidade de não provocar indignação revoltada. Se prestassem atenção, talvez tivessem visto uma coisa ou outra quando o vento batia e revelava parte do segredo entre os tecidos dançantes.
Ela vivia sob emoções, sob humor, sob inconstâncias. Vivia sobre o medo, sobre o orgulho, sobre uma montanha-russa. Mas sobretudo, sobrevivia.
Subentendido. Tinha mais graça. Sempre achara isso.
Sentia-se como uma piada. Algumas vezes engraçadinha; outras vezes, sem sentido nenhum; geralmente, não entendida. Mas a graça morava no desentendimento. Por acaso alguém realmente já achou graça de uma piada explicada?
Não, não tinha graça. Mais vale o semblante perturbador de uma feição interrogativa do que a falsidade das gargalhadas manipuladas. O não-explicar é muito mais real, muito mais espontâneo, muito mais vivo. A magia residia em não explicar. Talvez algum dia entendessem... que fosse! Talvez não entendessem jamais. Isso não era culpa dela. Não tinha culpa que o piadista a contara tão mal a ponto de ninguém rir. Ela era apenas uma piada mal formulada. Mas até as piadas mal-formuladas não devem ser explicadas. Isso ela sabia.
Metamorfoseado. Ela tinha mudado.
Já não era mais ela. Era outra. Uma “outra ela”. Tinha se renovado. Tinha se reinventado. Finalmente.
De repente. Não mais que de repente.
Ouvindo: I'll Follow the Sun - Beatles
Foi assim, sem mais nem menos que tudo aconteceu, que toda aquela mudança revolucionou. E ela que nunca fora de mudar, que sempre invejara as lagartas rastejantes que ganhavam coloridas asas... agora ela própria havia se metamorfoseado.
Não ganhara asas. Não mesmo.
A transformação não mudou sua locomoção. Mudou seu jeito de rastejar, de caminhar, de tropeçar... agora já aparentava uma certa dignidade depois da queda.
Mas ela não tinha caído. Não mesmo.
Apenas se dera conta que nunca tinha aprendido a andar. Agora dava seus primeiros passos sobre duas pernas. Não tinha asas, mas agora não precisava mais rastejar. Não voaria, mas os passos vacilantes e trôpegos já eram uma conquista de olhos arregalados.
Olhos.
Antes ela olhava pra fora. Talvez em busca de alguma coisa que nem ela sabia direito. Hoje seus olhos não estavam voltados para fora. Hoje ela trazia seus olhos voltados pra dentro, como se vigiasse alguma coisa importante (um tesouro talvez?), algum fenômeno mágico.
Se os outros percebiam a diferença, não se sabe. Geralmente os olhos voltados para dentro dificilmente deixam transparecer alguma coisa. Não porque tenham a falsidade das janelas com vidros opacos. Não. Apenas eram como janelas abertas com cortinas esvoaçantes que ocultam sei-lá-o-quê de importante; e as cortinas ocultavam com uma docilidade de não provocar indignação revoltada. Se prestassem atenção, talvez tivessem visto uma coisa ou outra quando o vento batia e revelava parte do segredo entre os tecidos dançantes.
Ela vivia sob emoções, sob humor, sob inconstâncias. Vivia sobre o medo, sobre o orgulho, sobre uma montanha-russa. Mas sobretudo, sobrevivia.
Subentendido. Tinha mais graça. Sempre achara isso.
Sentia-se como uma piada. Algumas vezes engraçadinha; outras vezes, sem sentido nenhum; geralmente, não entendida. Mas a graça morava no desentendimento. Por acaso alguém realmente já achou graça de uma piada explicada?
Não, não tinha graça. Mais vale o semblante perturbador de uma feição interrogativa do que a falsidade das gargalhadas manipuladas. O não-explicar é muito mais real, muito mais espontâneo, muito mais vivo. A magia residia em não explicar. Talvez algum dia entendessem... que fosse! Talvez não entendessem jamais. Isso não era culpa dela. Não tinha culpa que o piadista a contara tão mal a ponto de ninguém rir. Ela era apenas uma piada mal formulada. Mas até as piadas mal-formuladas não devem ser explicadas. Isso ela sabia.
Metamorfoseado. Ela tinha mudado.
Já não era mais ela. Era outra. Uma “outra ela”. Tinha se renovado. Tinha se reinventado. Finalmente.
De repente. Não mais que de repente.
Ouvindo: I'll Follow the Sun - Beatles
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