... e depois de tantas reticências, foi pontuando o meu último pensamento anterior nesse blog que encontrei finalmente o meu ponto final justo para esse espaço aqui. Injustificável em palavras, mas com um grande sentido pro de cá das coisas que me são íntimas. Ontem aconteceu de eu ver - de repente - com olhos que já não eram os meus.
Enfim, pra quem sempre viveu de reticências, asseguro que há de se encontrar o ponto final em algum momento. E a partir de então, um novo parágrafo a ser escrito
- que pode mudar o curso da história toda.
Posfácio (???)
Escrever e saber que alguém podia me ler e compartilhar comigo de um pensamento que antes só dividia com meu travesseiro e meu caderninho de sobrevivências, me possibilitou - se não chegar às respostas - ao menos aprimorar minha capacidade de formular as perguntas certas. Foi escrevendo aqui que foi crescendo a sensação de que não existe uma verdade a ser procurada. Existem as dúvidas. E eu que sempre tinha procurado quais seriam as minhas verdades, sem saber que o mais importante era saber quais eram as minhas questões.
Suspeito que cada um carregue uma dúvida importante que deve ser descoberta. Não se trata de desvendar qual é a sua verdade, mas sim qual é a sua pergunta, a sua autêntica pergunta. Não raramente criamos milhões de outras dúvidas desimportantes a atrapalhar a nossa reflexão sobre o que realmente importa pra nossa vida, pra nossa alma (ah sim, no último post desse blog, ouso citar a "alma"!). Claro que não poderia ser fácil, sempre há espaço pra auto-sabotagem. Sempre! Mas começo a acreditar que quanto mais procurarmos saber quais são as nossas dúvidas reais - aquilo que realmente queremos saber, o que realmente nos importa perguntar - é que começaremos a refletir e trilhar um caminho em que nos surpreenderemos conosco, nos pegaremos boquiabertos ao desvendarmos nossas próprias manias, hábitos, medos, vícios, defeitos, qualidades, fraquezas, forças...
E é por isso que escrever me é tão importante. É por isso que adiei por pelo menos umas quatro vezes a tentativa de finalizar esse blog. Porque é aqui que me estruturo para conseguir ser desestruturada. Foi aqui que treinei a organizar aquilo que era caos - minha mente - e percebi que deveria aprender a organizar esse caos de maneira caótica. É difícil. Ainda não consegui totalmente. Mas chegar a esse pensamento, a essa tímida conclusão de que é preciso aprender a respirar o caos e a abandonar a ilusão de verdades absolutas, que me faz perceber que cheguei ao ponto. Ao ponto em que me deparei comigo, com uma eu que era aquela eu que eu estava precisando ser no início disso tudo.
Não sei se cabe aqui um "obrigada". Eu já deveria estar treinada, mas é estranho se referir de modo pessoal ao vento de pessoas imaginárias e futuras que possam ler essas palavras. Cabe de qualquer forma um "obrigada" que agradeça aos comentários de amigos leitores, ao carinho dos visitantes, às pontuações de anônimos.
Não deixa de ser difícil.
Era pra terem saído 7 linhas finais, afinal um ponto final é rápido. É pontual. Mas me permito (ou melhor, me rendo) à vontade de alongar quase em reticências homeopáticas o que é fatalidade. Uma fatalidade feliz. De um ponto final em que os sonhos não serão mais extraviados.
É feliz.