
Ser composta de certezas sólidas. E talvez essa tenha sido a maior de suas carências. Quando há um tempo longínquo construía esboços e projetos de estrutura adequada que a sustentasse quando fosse casa, riram da planta e disseram que o cimento era apenas areia molhada, e as pedras, apenas lascas de montanha em decomposição.
Queria abrigar seus planos futuros, seus sonhos, sua mobília, seu descanso, seu lar. E então, quem antes topava assinar o projeto de repente viu inviabilidade. Queria uma barraca, que pudesse ser montada e desmontada em qualquer lugar das incertezas vagantes.
Desde então ela vêm procurando as certezas que a norteiem, porque ela não consegue ser barco à deriva. Tampouco consegue viver de certezas dogmáticas de cárceres privados.
Ela quer o lar. Leve, arejado e com um jardim cheio de mistérios. Porque nenhuma certeza é sólida o suficiente sem ser asfixiante. E nenhuma vida é certa o suficiente sem algumas certezas norteantes. E nenhum riso sobrevive sem o mistério do imprevisível.