Showing posts with label escolhas. Show all posts
Showing posts with label escolhas. Show all posts
Thursday, September 29, 2016
Tuesday, December 23, 2014
Correr macio
Dizem que o tempo é como a mão de um escultor que revela a beleza que já existia naquela pedra - rocha bruta e disforme - a cada martelada. Devagar. Caprichosamente. E assim eu me tornei crédula do tempo. Ele faria seu trabalho. O passar dos dias trariam a nitidez mais explícita das coisas do mundo. Com o passar do tempo eu distinguiria facilmente todas as suas formas: perfeitas e imperfeitas. O bem. O mal. O indesejado e o belo. Era preciso esperar as marteladas do tempo no mundo. Marteladas que me dariam a tão almejada: experiência. Passei a esperar pelo dia em que classificaria com uma certeza incisiva, todas as coisas do mundo. O tempo me daria a sabedoria das certezas. Da verdade. Pacientemente aguardei. E quanto mais os dias passavam, quanto mais as horas martelavam, quanto mais eu esperava pela nitidez do mundo, mais disforme tudo ao redor me parecia. O tempo deve estar sendo caprichoso, pensava eu. E aguardava a martelada. O tranco. A lasca que se desprenderia formando algo que eu ainda não podia prever o que seria. O mundo era todo um pedaço de pedra bruta martelado pelo tempo num gesto firme, incompassível, estrondoso. E eu aguardava. Do tempo, só se pode esperar. Aguardar a martelada. Dos segundos, dos minutos, das horas, dos dias, das semanas, dos meses, dos anos, das décadas...
Eu creio no tempo, unidade de medida persistente, que atravessa todas as coisas, viventes e não viventes, existentes e que ainda estão para existir. Eu confio no tempo, na ilusão da passagem do mundo, na miragem que sustenta o progresso, e que nos faz acreditar que caminhamos rumo a algo melhor. Creio no passado, que me oferece a certeza das coisas imutáveis, desafiada pelas lembranças cambaleantes, que o tempo próprio faz questão de borrar. Eu creio na finitude. Eu creio no início. E creio nos recomeços. Eu creio na preciosidade dos momentos. E que os momentos, dos quais o próprio tempo é feito, são o lastro que certifica o nosso respiro.
Saturday, December 28, 2013
Tuesday, March 05, 2013
Alergia
Sempre achei uma idiotice escolher da vida lavar fraldas de pano de um traseiro alérgico a descartáveis. Acreditei que escolher deliberadamente não dormir direito por vários meses fosse loucura. Que querer usar o dinheiro daquela viagem pelo mundo em mamadeiras e em material escolar para os próximos vinte anos fosse atestado de insanidade. E que tudo fazia parte de um enorme clichê burro da humanidade para continuar se reproduzindo.
Mas hoje eu quero ter um filho com você.
Porque eu sei que ele será uma pessoa incrível. E que eu mais você podemos fazer uma pessoa incrível. Juntos.
E porque em toda essa história, eu mesmo me tornaria uma pessoa mais incrível. Seria mais homem. Seria mais forte. Seria mais eu.
Mais um item para a lista de "coisas que só você me faz querer".
Wednesday, January 16, 2013
A felicidade obrigatória
Quantas pessoas são capazes de escolher o afeto em vez de uma carreira brilhante?
(...) Durante muito tempo, também corri atrás de alegrias momentâneas, que se esvairam como fumaça. O modelo de felicidade que está por aí não me atrai. Pode ser difícil, doloroso ou me provocar contentamento. Minha opção é viver os sentimentos mais profundos.
*ótimo texto de Walcyr Carrasco sobre
a felicidade cínica. Leia mais aqui.
Marcadores:
assim disseram,
escolhas
Tuesday, November 06, 2012
Aceite: nós não temos tempo
Não vai dar tempo.
Você não vai ter tempo de ler aquele livro. Daqui a trinta anos, quando morrer, ele ainda vai estar na sua fila de leitura. Fechadinho.
Aquela mulher? Não deixe pra sair com ela amanhã. Ela vai encontrar outro cara. Vai refazer o coração partido. Vai ser atropelada. Vai se descobrir lésbica.
Ou, talvez, apenas, quem sabe, vai sair da sua.
Quem hoje te beijaria amanhã nem boa noite vai te dar.
O futuro que vocês poderiam ter tido não vai acontecer.
Tudo porque você não foi lá hoje.
Vá lá hoje.
Aquela rua nunca vai ouvir o som dos seus passos. Aquela revista? Nunca mais vai abrir.
“Temos tempo”, ela disse.
Mas é mentira. De propósito ou por ignorância.
Não temos tempo.
A palavra rude que você disse para alguém que não gostava? Peça desculpas hoje.
A palavra carinhosa que você nunca disse para alguém que gostava? Diga hoje.
Você não tem tempo.
Lembra como a vida corria quando você tinha quinze anos?
Pois está correndo hoje.
Sabe aquela sensação quando dá seis da tarde e você pensa:
“Caramba, já acabou o dia… e não fiz nada!”
Você vai sentir o mesmo aos quarenta. Ou aos cinquenta. Ou sempre.
Faça agora.
por Alex Castro
Marcadores:
assim disseram,
escolhas,
viver
Tuesday, August 07, 2012
La storia del soldato e della principessa
"... se lo capisci, dimmelo tu!"
"...Una volta un re fece una festa e c'erano le principesse più belle del regno.
Ma un soldato che faceva la guardia vide passare la figlia del re.
Era la più bella di tutte e se ne innamorò subito.
Ma che poteva fare un povero soldato a paragone con la figlia del re! Basta!
Ma, finalmente un giorno riuscì a incontrarla e le disse che non poteva più vivere senza di lei.
E la principessa fu così impressionata del suo forte sentimento che disse al soldato:
“Se saprai aspettare cento giorni e cento notti sotto il mio balcone, alla fine, io sarò tua.”
Ma, subito il soldato se ne andò là e aspettò un giorno, due giorni e dieci e poi venti.
Ogni sera la principessa controllava dalla finestra ma quello non si muoveva mai.
Con la pioggia, con il vento, con la neve era sempre là.
Gli uccelli ci cacavano in testa e le api se lo mangiavano vivo ma lui non si muoveva.
Dopo novanta notti era diventato tutto secco, bianco e gli scendevano le lacrime dagli occhi
e non poteva trattenerle poiché non aveva più la forza nemmeno per dormire...
mentre la principessa sempre lo guardava.
E arrivati alla novantanovesima notte il soldato si alzò, si prese la sedia e se ne andò via".
Friday, July 27, 2012
Metal
![]() |
| imagem via: Stephen Criscolo |
Poderia ter pegado o caminho normal, mas preferiu desviar.
Com passos lentamente propositais, caminhou na velocidade oposta de seus
pensamentos. Pigarreou. A barba por fazer. Os dedos doíam. A planta na varanda
do apartamento morria pela falta de água. Dizia sempre para as visitas que a cultivava
pela beleza do verde, justificando a pergunta que certamente viria. Era
precavido.
Nessa tarde - a do desvio - seguiu a rota sem rumo prestando
atenção na cidade. Prestando atenção aos desconhecidos na rua. Olhava a todos
nos olhos. Ali, no fundo das pupilas. Buscava desesperadamente enxergar alma na
paisagem de pessoas que se amontoavam nas calçadas. Chegava a ser obscena a
intensidade com que procurava os olhos dos desconhecidos que passavam por ele
na rua: todos absortos, zumbis, evitando qualquer contato visual entre si, como
se fosse proibido perceber que existiam outras almas. Existiam?
Mordeu o lábio desistindo. Bufou. Passou pela mente o som
daquela orquesta tocando o Cinema Paradiso. Queria ter aprendido violoncelo.
Queria ter feito tanta coisa. Ainda era novo. Mas não.
A corrente do pescoço. Não conseguia livrar-se dela. De
prata. Estava escura. Era coisa de secreção da pele que ia escurecendo o metal.
Assim disseram. Nada que ficasse dependurado por muito tempo em seu pescoço
conseguiria reluzir. Ela também não. Paciência.
Dobrou a esquina. Tentou afastar pensamentos indolentes.
Chegou numa praça abandonada. Sentou-se no banco. Tirou do bolso da calça o
moleskine. Rabiscou uns desenhos. Não sabia falar. Não sabia escrever. Era
péssimo com palavras. Então rabiscava. Os mais próximos olhavam e tentavam
atribuir significado. Ele achava bom que ninguém entendesse. Ainda ganhava
status de incompreendido. Todo artista quer a incompreensão. Ele a tinha sem
nenhum esforço.
Terminou o desenho. Folheou as páginas passadas. Sentiu o
estômago revirar. Parou. Pensou de novo na orquestra. Pensou de novo no Cinema Paradiso. Queria ter aprendido violoncelo. A corrente de prata escura. Pensou
que ia chorar. Mas não.
Tirou a correntinha. Ficou olhando a peça na palma da mão.
Estava bem mais escura que da última vez que tinha prestado atenção ao espelho.
Fechou com força o punho num golpe de adeus. Depois abriu mão. Ele escurecia metais. Já não
queria.
Não mais.
Monday, May 21, 2012
Velho lobo
Pegando gosto por HQ's e sua linguagem mista. Sua poesia 'gráfica-literária' serve de lacuna a palavras não escritas. Essa em especial dos artistas Fábio Moon e Gabriel Bá, me remete ao antigo post.
Thursday, April 12, 2012
Wednesday, September 28, 2011
Um pouco de ignorância
"Há muitas coisas que quero, de uma vez por todas, não saber. A sensatez estabelece limites mesmo ao conhecimento"
Nietzsche, O Crepúsculo dos Ídolos
Desenvolto um transtorno obsessivo em experimentar, em descobrir e em saber, fica difícil tentar abandonar o hábito. Mas é fato que nem todas as coisas da vida merecem ser experimentadas e mesmo conhecidas. Compreensível a fome de querer saber tudo. Mas se não for construído um filtro, as coisas todas não farão sentido algum dispostas assim, sem critério. É difícil, mas a velha história de que não se pode ter tudo valida o pensamento de que se tenha que escolher o aquilo que nunca teremos na vida. E talvez seja essa a liberdade: a de se poder escolher o que nunca saberemos e o que nunca viveremos.
Marcadores:
escolhas,
pensamentos,
viver
Friday, January 28, 2011
Sim?
Existe. Existe uma pergunta que sempre esteve por perto. Como um rosto familiar de um desconhecido, de uma sombra sempre em cena que nunca se faz notar o suficiente para ultrapassar o papel de figurante. Ah, essa pergunta! Sempre rondando, perscrutando, me olhando de canto de olho. Às vezes dava uma piscadela, tentava um charme de longe - nada muito agressivo. Táticas de guerrilha não faziam parte de sua estratégia: logo desvanecia com um incidente qualquer e já não se fazia lembrar, retornava-se desconhecidamente familiar.
Topei-a numa ocasião e dessa vez não passei reto. Não aceitei a passagem que ela me ofereceu para continuar meu caminho ilesa. Me detive. Ela sorriu como se achasse piada do enigma, que comédia! De poucas palavras, sonoreou com uma pontinha de sarcasmo:
- prazer, sou a sua pergunta e ouso propor tornar-me possibilidade.
De acordo com o roteiro eu deveria rir e continuar meu caminho, mas me deu um calafrio de bravura e estou ainda encarando com expressão séria a inalar a fumaça do que é metade coragem, metade loucura. O diretor da peça está a gritar impropérios, palavrões e as maiores obscenidades. Escolho manter a tensão do momento alongando-o com a disciplina da power-yoga. E por enquanto esse trecho termina assim
[com o pulmão embalado em magipack e sem alívio ou catarse nenhuma para afrouxar qualquer nó de marinheiro engenhosamente feito no meio da garganta. O barco esperava ancorado.
imagem: escultura "Girl Babtized In Gold" do finlandês Kim Simonsson
Marcadores:
escolhas,
inquietação
Monday, October 12, 2009
Medos privados em lugares públicos

Sua força deve ser pública e seus medos, privados. Compartilhe seus sorrisos, chore na solidão. Escolher esse caminho é só mais uma escolha, com seus prós e contras. Não tem a ver com força, mas em escolher enfrentar uma posição vulnerável ou evitá-la.
Às vezes alguns pensamentos me botam a vida como uma luta em que qualquer espontaneidade distraída deve ser evitada se não se quiser perder. A lógica racional é suprema, e sonhos... ah sonhos! Vocês são metas.
Thursday, October 01, 2009
O posto

É nessa disputa diária que sempre surge a confusão. Conflituosidade ferrenha, a rotina é atordoante e eu já não sei o que fazer. Toda escolha invoca as brigas e eles lutam insistentes pelo palanque da minha atenção. Desfiam seus argumentos opostos, brincam com minhas verdades, bagunçam minha opinião. Jogam com as minhas vontades no embate de suas artilharias. Descobrir minha própria voz acaba sendo difícil no meio da gritaria. Entre o bem e o mal não quero nem os elogios pomposos e nem as condenações severas:
Quero é ser feliz sem medo.
- Sem mesuras e sem reservas.
Tuesday, July 28, 2009
Do Ponto de Referência
Vai-se o tempo em que aprendia sobre ponto de referência e a relativização das coisas nas aulas de física.
Está parado ou em movimento?
Depende.
Mais do que o supremo prazer dos alunos pentelhos em ter agora dignificada sua resposta habitual em todas as chamadas orais, o depende nos abre o caminho das possibilidades ao invés de nos engessar em uma resposta única.
Era assim com a vida também. Eu cresci e com os anos abracei a teoria da relatividade como filosofia de vida. As verdades únicas me parecem tão ditatorialmente burras, que por mais difícil que seja viver a existência fluida das possibilidades infinitas, eu assim me esforçava por segui-la.
Sentir a liberdade e o caos ao mesmo tempo. A gente enxerga um monte de verdades não menos verdadeiras do que as outras.
Está parado ou em movimento?
Depende.
Mais do que o supremo prazer dos alunos pentelhos em ter agora dignificada sua resposta habitual em todas as chamadas orais, o depende nos abre o caminho das possibilidades ao invés de nos engessar em uma resposta única.
Era assim com a vida também. Eu cresci e com os anos abracei a teoria da relatividade como filosofia de vida. As verdades únicas me parecem tão ditatorialmente burras, que por mais difícil que seja viver a existência fluida das possibilidades infinitas, eu assim me esforçava por segui-la.
Sentir a liberdade e o caos ao mesmo tempo. A gente enxerga um monte de verdades não menos verdadeiras do que as outras.
"Um menino passeando de carro com a família está parado ou em movimento? Depende. Se for em relação à árvore na beira da estrada, ele está em movimento. Se for em relação à sua mãe sentada no banco da frente do carro, ele está parado". Qual verdade é mais verdadeira?
A gente pode enlouquecer quando tenta enxergar isso no dia-a-dia e em coisas menos tangíveis. É uma tentativa de ser justa a todas as verdades ao mesmo tempo em que não se considera nenhuma. É quase uma anulação pessoal, porque conforme o agravamento da situação, passa-se a deixar sua verdade de lado para considerar as milhões existentes à sua volta. E a loucura muitas vezes parece estar à espreita só esperando o momento do bote certeiro.
Houve, porém, uma salvação mais mística do que científica (e não menos verdadeira do que a física), chamada Inferno Astral, que mostrou-me - através de crises existenciais sucessivas - que não devo procurar ser eu metafísicamente como se houvesse um molde perfeito de mim a ser seguido. Eu era acontecimento. Inominável. Nada além disso. E mesmo conhecendo a existência caótica das verdades múltiplas, em vez de enlouquecer tentando viver o ideal bonito relativista, eu deveria era estabelecer meu ponto de referência perante as coisas e classificá-las sem medo de ser injusta. Porque sempre se é em relação a alguma verdade. Mas era preciso ser algo, e ser algo é posicionar-se em algum ponto de referência. Não dá pra ser onisciente e procurar considerar todas as verdades existentes, mesmo sabendo que existam, sob o risco de acabarmos não sendo nada.
A gente pode enlouquecer quando tenta enxergar isso no dia-a-dia e em coisas menos tangíveis. É uma tentativa de ser justa a todas as verdades ao mesmo tempo em que não se considera nenhuma. É quase uma anulação pessoal, porque conforme o agravamento da situação, passa-se a deixar sua verdade de lado para considerar as milhões existentes à sua volta. E a loucura muitas vezes parece estar à espreita só esperando o momento do bote certeiro.
Houve, porém, uma salvação mais mística do que científica (e não menos verdadeira do que a física), chamada Inferno Astral, que mostrou-me - através de crises existenciais sucessivas - que não devo procurar ser eu metafísicamente como se houvesse um molde perfeito de mim a ser seguido. Eu era acontecimento. Inominável. Nada além disso. E mesmo conhecendo a existência caótica das verdades múltiplas, em vez de enlouquecer tentando viver o ideal bonito relativista, eu deveria era estabelecer meu ponto de referência perante as coisas e classificá-las sem medo de ser injusta. Porque sempre se é em relação a alguma verdade. Mas era preciso ser algo, e ser algo é posicionar-se em algum ponto de referência. Não dá pra ser onisciente e procurar considerar todas as verdades existentes, mesmo sabendo que existam, sob o risco de acabarmos não sendo nada.

Deveria então abrir meu guarda-roupa abarrotado de tantas verdades múltiplas e classificá-las em “ainda me servem” ou “não me servem mais”. As coisas nas caixas velhas de papelão a serem descartadas não eram menos verdadeiras do que as que ficaram. Era apenas o processo necessário chamado escolha.
Eu escolho, tu escolhes, ele escolhe.
Nós respeitamos.
Marcadores:
escolhas,
filosofando
Friday, November 21, 2008
O recuo
280. “Mau, muito mau! Como? Ele está – recuando?” – Sim!
Mas vocês o compreendem mal, se reclamam por isso. Ele recua como quem quer dar um grande salto. - -
Além do bem e do mal – Nietzsche

Mas vocês o compreendem mal, se reclamam por isso. Ele recua como quem quer dar um grande salto. - -
Além do bem e do mal – Nietzsche

Marcadores:
assim disseram,
escolhas
Wednesday, June 18, 2008
O ateísmo do essencial
É que vinha aprendendo há muito tempo o valor da força. Não julguem.
Vinha testando experiências pelo caminho, aprendendo lições e conhecendo as indefinidades de viver. Não havia manual. Construía o seu próprio.
Existem dois tipos de pessoas: as que acreditam em si mesmas, mas não pensam sobre o motivo que as faz acreditar em si; e as que não acreditam em si mesmas, porque desconhecem que possuem um grande motivo para tal.
Entre os dois extremos, a insegurança em doses variadas, e a auto-confiança em doses exageradas. Era tudo muito alienante.
Procurava evitar então prender-se na crença em si, e refletir mais sobre as consequências de cada escolha feita. E deixava então sua essência transformar-se sem limitá-la em uma crença exagerada ou numa falta de fé sacrílega.
Vinha testando experiências pelo caminho, aprendendo lições e conhecendo as indefinidades de viver. Não havia manual. Construía o seu próprio.
Existem dois tipos de pessoas: as que acreditam em si mesmas, mas não pensam sobre o motivo que as faz acreditar em si; e as que não acreditam em si mesmas, porque desconhecem que possuem um grande motivo para tal.
Entre os dois extremos, a insegurança em doses variadas, e a auto-confiança em doses exageradas. Era tudo muito alienante.
Procurava evitar então prender-se na crença em si, e refletir mais sobre as consequências de cada escolha feita. E deixava então sua essência transformar-se sem limitá-la em uma crença exagerada ou numa falta de fé sacrílega.
Marcadores:
escolhas,
filosofando
Thursday, February 08, 2007
Não espere! Espire.
Chama de lado o tropel da desconfiança para te cercarem contra a nova possibilidade. Fecha os olhos pro horizonte distante e finge que a linha de chegada já está debaixo de seus pés, embora a única direção em que dirigiu seus passos foi um interminável círculo sem possibilidade de se tornar espiral crescente.
Espire. Inspire. E expire só porque a norma gramatical diz que é com x.
Mas não cabe a nenhum dicionário ou guia gramatical, recomendar-lhe as melhores palavras, orações e períodos. Que você escolha o silêncio, o Pai-Nosso ou o matutino. Que você escolha nada ou outras coisas. Mas escolha. Decida pela felicidade. Isso só se consegue fazendo, vivendo, sem gerundismos. Arrisque e não esteja se arrependendo de espirar assim mesmo,
Espire. Inspire. E expire só porque a norma gramatical diz que é com x.
Mas não cabe a nenhum dicionário ou guia gramatical, recomendar-lhe as melhores palavras, orações e períodos. Que você escolha o silêncio, o Pai-Nosso ou o matutino. Que você escolha nada ou outras coisas. Mas escolha. Decida pela felicidade. Isso só se consegue fazendo, vivendo, sem gerundismos. Arrisque e não esteja se arrependendo de espirar assim mesmo,
[com s.
Friday, March 03, 2006
O Eterno Retorno do Mesmo – Escolheria isso por toda a eternidade?

“Faça essa experiência imaginária! E se alguém, que conhecesse a verdade suprema, dissesse para você que esta vida, conforme a vive agora e a viveu no passado, terá que ser vivida novamente e inumeráveis outras vezes; ela não terá nada de novo, mas cada dor e cada alegria e tudo de inefavelmente pequeno ou grande em sua vida retornará para você, tudo na mesma sucessão e seqüência: mesmo este momento, e esta tela de computador e esse blog lido, mesmo o dia de hoje e o tédio, e a alegria ou tristeza, e o jantar comido ontem?
Imagine a eterna ampulheta da existência virada de cabeça para baixo novamente e novamente e novamente. A cada vez, também virados de cabeça para baixo estaremos você e eu, todos os conhecidos, amigos, parentes, meras partículas que somos.
Pense no infinito. Olhe para antes de você; imagine que está olhando infinitamente para dentro do passado. O tempo se estende para trás por toda a eternidade. Ora, se o tempo se estende infinitamente para trás, tudo que pode acontecer já não deve ter acontecido? Tudo que se passa agora não deve ter acontecido desta forma antes? E o tempo que se estende infinitamente para trás também não deverá se estender infinitamente para a frente? Nós neste momento, em cada momento, não deveremos retornar eternamente?
A prova da veracidade desta teoria reside em dois princípios metafísicos: a de que o tempo é infinito e a força (a substância básica do universo) é finita. Dado um número finito de estados potenciais do mundo e uma quantidade infinita de tempo já passado, segue-se que todos os estados possíveis já devem ter ocorrido; e que o estado presente deve ser uma repetição; e igualmente aquele que lhe deu origem e o que dele decorre, e assim sucessivamente de volta no passado e à frente no futuro”.
***
Li... e mesmo não conseguindo acreditar que a tal teoria fosse provável, comecei a pensar se ela fosse meramente possível. O Eterno Retorno... tudo, tudinho que eu vivi e ainda vou viver... terei que reviver por toda a eternidade se a tal teoria estiver certa. Mesmo os joelhos ralados na infância, as decepções com algumas pessoas, as provas com notas vermelhas, a bronca despropositada daquele professor insuportável e até o xixi na cama nos pesadelos da infância... tudo retornará na mesma seqüência.
Comecei a considerar as implicações do eterno retorno para a minha vida - não abstratamente, mas agora, hoje, no sentido mais concreto! Imagine essa possibilidade você também.
Cada ação que realizo, cada dor que experimento serão experimentadas por toda a infinidade. O Eterno Retorno significa que, cada vez que você escolhe uma ação, deve estar disposto a escolhe-la por toda a eternidade. O mesmo se dá com cada ação não realizada, cada escolha evitada. Toda a vida não vivida ficará latejando dentro de você, invivida por toda a eternidade. A voz ignorada de sua consciência continuará clamando para sempre.
Agora responda a esta pergunta: você odeia esta idéia? Ou a adora?
“Se você a odeia, se você não suporta a idéia de viver para sempre com a sensação de que não viveu, comece a viver de tal forma a adorar a idéia!”.
Sim, Nietzsche e sua sentença de granito: “Torna-te quem tu és!”.
Ás vezes acho que pensar demais dói um pouco...
Marcadores:
escolhas,
filosofando,
viver
Subscribe to:
Posts (Atom)



