Monday, October 15, 2007

Ikiru



Em 21 anos de vida, concluo que vida é além-compreensão, indefinível. E realmente julgo que pensar sobre a vida e tentar entendê-la é ao mesmo tempo ser arrogante e tolo.
Pois eu sou arrogante e tola.
E sou nietzscheanamente fraca.

Viver a vida de verdade deve ser sentir-se tão embriagado por ela, que qualquer forma de pensamento e questionamento filosófico se torna inútil e ridículo.
Viver antes de tudo.

Arranjar tempo para tentar entender o que é ininteligível é tentar matar o tempo e disfarçar a angústia de não saber viver com algo que suprima essa falha vital e seja considerada intelectual e superior.

Nos melhores momentos da minha vida eu confesso que não pensei “para quê vivemos?”, porque o momento justificava-se em si. Porque eu abraçava e sorria como se aquilo fosse toda e qualquer razão. Também não pensava qual seria a melhor maneira de viver, porque eu estava realmente vivendo, e isso por si só já era a melhor forma.

Pensar em escolhas e atitudes.


Pensar em abstrações não práticas? Só se você realmente precisar de um anestésico pra vida que não sabe como viver.



Hoje eu não preciso de anestésico nenhum.

7 comentários:

Tevo said...
This comment has been removed by the author.
Tevo said...

Algumas dessas frases foram dolorosamente íntimas para com o meu momento pessoal hahaha... "Pensar em abstrações não práticas?" (eu faço faculdade de filosofia... imagine quais são as implicações desse fato, não? hahaha)

Mas nem Nietzsche e nem racionalismo... a vida realmente se faz no movimento e na espontaneidade... mas isso não implica o império da espontaneidade impulsiva, ou da embriaguez planejada.

Se a gente tem chance de fazer bom uso da razão, então escolher deixá-la de lado é também negligenciar uma parte vital do nosso ser. Seria como não levar em conta que nós temos pernas para andar enquanto estamos planejando uma longa caminhada. É como abstrair as margens de erro das nossas fórmulas... e aliás, que fórmulas! hahaha

Mas a espontaneidade realmente é o que conta no fim do dia... é o que te deixa plena ou insatisfeito. É o que te permite dizer: "a tentativa antes de tudo, mais vital que qualquer sucesso ou qualquer fracasso"

Escrevi demais, desculpa haha
Mas encontrei seu blog por acaso, e esse último post seu me deu uma coceira para deixar um comentário! (coisa que eu nunca faço aliás...)

Bem, adoraria uma resposta, uma piada, ou mesmo um xingamento, desde que seja espontâneo da sua parte! hauhauhauha

http://www.orkut.com/Profile.aspx?uid=6581004040029722605
(meu orkut)

stvtk30@hotmail.com (msn)

Se a minha memória não me deixar na mão, como acontece bastante, eu aparecerei mais vezes aqui...

;)

João Francisco A. Enomoto said...

Aos 23 anos, sou dependente químico de muita coisa que não presta. Uso meus vícios como ponte até uma próxima felicidade.

Beijos

Diego said...

Que orgulho ter vc como discípula hein...
Num é q quase passou o mestre! (Não se anime.)

Anonymous said...

Love, without stopping to think.

Anonymous said...

Além de bela, escreve muito bem. Não é só uma embalagem bonitinha, hein? Hum... passados dois dias, acho que meu comentário no seu fotolog foi meio inconveniente, principalmente após ler as suas opiniões. Desculpe se pareci te julgar apenas pela aparência. Mudando de assunto, vou desmontar o texto na forma do meu raciocínio simplório, ainda que seja um atrevimento, pois estou muito longe de utilizar as palavras como você: 1- Você critica o sofismo, o distanciamento da "vida vivida" em prol da razão. Talvez porque seja um simples ritual dos desesperados, daqueles cuja vida não se exaure apenas no cotidiano, enfim, daqueles que sentem um vazio no peito; 2- Você mesma admite que reitera constantemente tal prática quando não está em um momento feliz; 3- E depois, após essa defesa, cheia de construções brilhantes, conclui que não precisa filosofar no momento...

Er... desculpe, mas... o texto em si não passou de uma leve dose do "anestésico"?

Alberto K. said...

Desculpe resuscitar esse post...
Mas numa tarde dessa, de primavera e tendo que lavar pratos para me alienar... eu precisava de uma opinião de fora, como esta... acabaram os pratos a serem lavados e acabei me encontrando comigo mesmo... tanta fuga e acabei caindo aqui, num post tão cabível para a minha situação.