
“Estou sentindo uma clareza tão grande que me anula como pessoa atual e comum: é uma lucidez vazia, como explicar? assim como um cálculo matemático perfeito do qual, no entanto, não se precise. Estou por assim dizer vendo claramente o vazio. E nem entendo aquilo que entendo: pois estou infinitamente maior do que eu mesma, e não me alcanço. Além do quê: que faço dessa lucidez? Sei também que esta minha lucidez pode-se tornar o inferno humano — já me aconteceu antes. Pois sei que — em termos de nossa diária e permanente acomodação resignada à irrealidade — essa clareza de realidade é um risco. Apagai, pois, minha flama, Deus, porque ela não me serve para viver os dias. Ajudai-me a de novo consistir dos modos possíveis. Eu consisto, eu consisto, amém.”
Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres
Clarice Lispector
3 comentários:
Clarisse! Ah, clarisse... musa de todos os professorEs de português dos cursinhos pré-vestibulares e também do ator Anthony Hannibal Hopkins...
http://diversao.uol.com.br/ultnot/2008/04/16/ult4326u830.jhtm
Olha, a lucidez que embreaga não é boa. Se faz pensar demais, fique (trans)lúcida.
é por isso que se deve enxergar além do que se vê... sempre...
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