Tuesday, April 29, 2008

A tensão: Silêncio

Nadavam na tempestade do silêncio. As dúvidas ventavam forte no mar do não dito. Tudo era de uma tranquilidade superficial: quem mergulhasse no profundo, veria as emoções revoltas.

Parecia até que tinham feito um pacto de não limitar a vida em palavras. Era preciso deixá-la intangível. A sensação bastaria.

Os olhos perscrutavam sinais quase imperceptíveis, em busca de algo que permitisse a mais remota suposição. A atenção tensa, criava armadilhas atribuindo a possibilidade de milhões de significados a cada gesto.

E de que é feita a incerteza senão de inúmeras possibilidades das quais não temos esboço? E a vida não permitia rascunhos.

O silêncio manchava a arte-final.


Era preciso quebrá-lo.

2 comentários:

Marcelo said...

Não sei se o post expressa aquilo que compreendi, mas se for o caso, concordo. É preciso quebrar o silêncio. Engraçado quando brigamos com alguém e brincadeiras e apelidos dão lugar a um tratamento formal e uma cordialidade artificial. Daí o pacto intangível. E quebrar o silêncio sobre o atrito é necessário, mas não é fácil.

Marcela Brunelli said...

Bom, eu acho que a incerteza se baseia nos nossos esboços sim. Temos esboços, rabiscos e rascunhos que nunca viram arte final porque não são seguros, ainda.

Um dia serão?
Dúvida cruel. Insegurança para responder..

Bjinhos!