
É um tipo muito particular de existência esse processo de consistir buscando definição através de sonhos incertos.
Eu torço muito por mim, sabe? É a história que melhor conheço e mesmo que primem pela opinião não tendenciosa, continuo esperando pelo final mais feliz.
Não sou muito boa no processo de escolha. Sou muito visionária. No momento que se me apresenta a questão, enxergo inúmeras possibilidades decorrentes de cada decisão, e amo tanto cada rumo (pela possibilidade da felicidade estar em um deles) que é tortura a mim querer um único destino entre tantos finais.
Dizem por aí que quem quer tudo acaba sem nada. Esse seria um ditado que me pegaria pelas canelas e me esfriaria as costas. Tenho uma sede muito grande de vida. Não tenho talento pra ser cacto: a água jorra - e eu não faço reservas.
Também não sou boa apostadora. Já perdi muitas fichas. Não que tenha apostado muito.
Geralmente as más apostadoras sabem que o são e ao menos que sejam burras, evitam o suplício. Eu não apostei muito. Mas uma única aposta me faz apostar quase todas as fichas, e considerando que não sou boa em apostar - perco muito.
É... Acaba sendo burrice do mesmo jeito no final.
Diversificar a carteira de investimentos é conselho batido pra quem não quer correr riscos. É, eu sei bem menos de investimentos do que gostaria.
Acabo investindo no sonho do meu futuro imaginando-o grandioso seja qual rumo ele tomar. Cumprimento-o todo dia de manhã ao acordar: dou-lhe bom dia mesmo sem conhecer sua cara. Porque ele me é desconhecido. Mas eu o amo mesmo assim porque creio que ele é que me trará a felicidade. E todo dia de tarde, alimento-o com uma alegriazinha boba qualquer do dia, esperando que o depósito de cada felicidadezinha instantânea resulte numa previdência gorda de felicidade futura e interminável.
Às vezes o olho desconfiada. Ele é sombra sem forma nem cor definidas. E se ele estiver preparando-me uma cilada? Fico com medo de apostar... mas investir aonde? No que? Onde pode residir a felicidade senão no sonho?
Quantas fichas você é capaz de apostar?
1 comentários:
O problema é que somos apostadoras muito parecidas. Apostar todas as fichas não é um bom negócio: sabemos disso e continuamos a fazer, repetidamente, até a dívida ser maior do que a vontade de apostar. O triste é que essas apostas intererem nas próximas, e o futuro fica murcho como rosas no verão.
Apostar ou não?
Adorei o texto, como sempre!
Parabéns pelo processo criativo em alta!
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