
De tempos em tempos vejo nascer uma pessoa diferente em mim. Como se eu não parasse de me auto-gerar, uma outra de tempos em tempos nasce em mim. E não digo todo dia, porque não é – o que dá ao acontecimento a importância do acaso inesperado e único.
Há umas duas semanas nasceu uma outra de mim. Nasceu assim , numa noite sem estrelas no céu e com uma marca de lua na testa. Devorou a antiga num manifesto antropofágico e eu sem saber o que fazer, rabisquei. Traços, traços, porque as palavras não vinham para quem tinha urgência de vomitar a alma. O mal-estar já tinha durado tempo suficiente.
E como enjoei-me de falar de mim, declaro finda a época “egocêntrica”.
“Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago”.
A menina da lua na testa tem vontade de potência nietzscheana.
“Morte e vida das hipóteses. Da equação eu parte do Cosmos ao axioma Cosmos parte do eu. Subsistência. Conhecimento. Antropofagia”.
A vontade de explodir os limites é apenas uma bomba-relógio programada para a expansão daquilo que precisa crescer. Livrar-se do exoesqueleto e amanhecer bem maior.
É a época da muda.
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