Vai-se o tempo em que aprendia sobre ponto de referência e a relativização das coisas nas aulas de física.
Está parado ou em movimento?
Depende.
Mais do que o supremo prazer dos alunos pentelhos em ter agora dignificada sua resposta habitual em todas as chamadas orais, o depende nos abre o caminho das possibilidades ao invés de nos engessar em uma resposta única.
Era assim com a vida também. Eu cresci e com os anos abracei a teoria da relatividade como filosofia de vida. As verdades únicas me parecem tão ditatorialmente burras, que por mais difícil que seja viver a existência fluida das possibilidades infinitas, eu assim me esforçava por segui-la.
Sentir a liberdade e o caos ao mesmo tempo. A gente enxerga um monte de verdades não menos verdadeiras do que as outras.
Está parado ou em movimento?
Depende.
Mais do que o supremo prazer dos alunos pentelhos em ter agora dignificada sua resposta habitual em todas as chamadas orais, o depende nos abre o caminho das possibilidades ao invés de nos engessar em uma resposta única.
Era assim com a vida também. Eu cresci e com os anos abracei a teoria da relatividade como filosofia de vida. As verdades únicas me parecem tão ditatorialmente burras, que por mais difícil que seja viver a existência fluida das possibilidades infinitas, eu assim me esforçava por segui-la.
Sentir a liberdade e o caos ao mesmo tempo. A gente enxerga um monte de verdades não menos verdadeiras do que as outras.
"Um menino passeando de carro com a família está parado ou em movimento? Depende. Se for em relação à árvore na beira da estrada, ele está em movimento. Se for em relação à sua mãe sentada no banco da frente do carro, ele está parado". Qual verdade é mais verdadeira?
A gente pode enlouquecer quando tenta enxergar isso no dia-a-dia e em coisas menos tangíveis. É uma tentativa de ser justa a todas as verdades ao mesmo tempo em que não se considera nenhuma. É quase uma anulação pessoal, porque conforme o agravamento da situação, passa-se a deixar sua verdade de lado para considerar as milhões existentes à sua volta. E a loucura muitas vezes parece estar à espreita só esperando o momento do bote certeiro.
Houve, porém, uma salvação mais mística do que científica (e não menos verdadeira do que a física), chamada Inferno Astral, que mostrou-me - através de crises existenciais sucessivas - que não devo procurar ser eu metafísicamente como se houvesse um molde perfeito de mim a ser seguido. Eu era acontecimento. Inominável. Nada além disso. E mesmo conhecendo a existência caótica das verdades múltiplas, em vez de enlouquecer tentando viver o ideal bonito relativista, eu deveria era estabelecer meu ponto de referência perante as coisas e classificá-las sem medo de ser injusta. Porque sempre se é em relação a alguma verdade. Mas era preciso ser algo, e ser algo é posicionar-se em algum ponto de referência. Não dá pra ser onisciente e procurar considerar todas as verdades existentes, mesmo sabendo que existam, sob o risco de acabarmos não sendo nada.
A gente pode enlouquecer quando tenta enxergar isso no dia-a-dia e em coisas menos tangíveis. É uma tentativa de ser justa a todas as verdades ao mesmo tempo em que não se considera nenhuma. É quase uma anulação pessoal, porque conforme o agravamento da situação, passa-se a deixar sua verdade de lado para considerar as milhões existentes à sua volta. E a loucura muitas vezes parece estar à espreita só esperando o momento do bote certeiro.
Houve, porém, uma salvação mais mística do que científica (e não menos verdadeira do que a física), chamada Inferno Astral, que mostrou-me - através de crises existenciais sucessivas - que não devo procurar ser eu metafísicamente como se houvesse um molde perfeito de mim a ser seguido. Eu era acontecimento. Inominável. Nada além disso. E mesmo conhecendo a existência caótica das verdades múltiplas, em vez de enlouquecer tentando viver o ideal bonito relativista, eu deveria era estabelecer meu ponto de referência perante as coisas e classificá-las sem medo de ser injusta. Porque sempre se é em relação a alguma verdade. Mas era preciso ser algo, e ser algo é posicionar-se em algum ponto de referência. Não dá pra ser onisciente e procurar considerar todas as verdades existentes, mesmo sabendo que existam, sob o risco de acabarmos não sendo nada.

Deveria então abrir meu guarda-roupa abarrotado de tantas verdades múltiplas e classificá-las em “ainda me servem” ou “não me servem mais”. As coisas nas caixas velhas de papelão a serem descartadas não eram menos verdadeiras do que as que ficaram. Era apenas o processo necessário chamado escolha.
Eu escolho, tu escolhes, ele escolhe.
Nós respeitamos.
4 comentários:
Muito bom !
Só Quando conseguimos acalmar os "macacos loucos" dentro de nós, as escolhas passam a ser simplesmente escolhas, motivadas por uma causa e destinadas a uma consequência, e a relatividade, nada mais do que projeções (subjetivadas) da Verdade.
Que tal um blog chamado "Mentes densas" ou "Pensamentos densos" pra registrar textos como esse ?
Saudações,
Fabio.
Ah, uma inveja branca surge por, agora, só poder esperar que um texto bom assim em mim surja... concordo totalmente com o que disse: apesar de uma certa angústia que nos oprime contra a maciez e doçura das respostas prontas e intolerantes a abertura de universos mais amplos, as conclusões mais elaboradas, que, conscientes do terreno pantanoso que percorrem, no final nos nutrem mais e não nos fazem deparar com cáries em nossa alma, advindas da corrosão de idéias pouco sólidas...
O fato das idéias que escolhemos não usar poderem ser úteis ainda, me fez lembrar o pouco que entendi do que Sartre dizia, sobre a idéia de que a escolha é uma obrigação e que, no final das contas, é também angustiante, por que não podemos deixar de escolher (mesmo que escolhamos não escolher, teremos feito uma escolha).
E com relação à loucura, eu gosto do termo (imagino que também goste, se tomarmos por um sentido de fuga de uma realidade estática e infrutífera). A normalidade hoje em dia está a serviço do mercado... Fugindo um pouco do assunto, claro. :)
Pois é, quando escrevi aquele texto lembrei de Heráclito (não do nome exatamente, mas de que alguém já tinha dito isto)...
Puxa, que bom que gostou... eu tinha achado o meu texto um pouco fraquinho (sei lá o quanto minha auto-crítica é sincera... há um tanto de exagero às vezes talvez.. fico tentando atingir níveis como os de seus textos, com várias idéias coesas, sequenciadas, metafóricas, impressionantes!)... tanto que já até tinha começado a escrever outro... e ia postar antes dos 10 dias de praxe... (pode parecer meio forçado esse negócio de post a cada dez dias, mas sempre me lembro de Tchaikovsky, se não me engano, que, mesmo não tendo nenhuma idéia, se sentava para escrever algo, para fazer a imaginação trabalhar e não perder o pique...)
Bom, de qualquer forma, agradeço a presença constante em meu pequeno espaço! Sâo poucos os visitantes lá, mas tenho grande carisma por aqueles! Grato por sua presença tão confortante!
Post a Comment