Deve ter sido um processo longo e gradual daqueles que a gente nem se apercebe no passar dos dias, porque sempre, sempre, eu olhava o mundo, atravessava a rua, ia ao cinema, escrevia, pegava o ônibus lotado, cansava, ria... eu era assegurada pela rotina do que era ser eu.
Agora eu era alguma outra coisa que não o eu que eu fora. Tinha sido certamente um trabalho de cupim, a comer a madeira por dentro e deixar o de fora lindo, saudável e forte, para então um dia eu acordar e não ser mais eu, assim, bruscamente. Acordar pó por dentro e ver toda estrutura imponente ruir. Já não reconheço mais nada nada nada nada do que era terno. E de repente pareceu que sempre foi assim
bruto, áspero e cor de asfalto velho.
Agora eu era alguma outra coisa que não o eu que eu fora. Tinha sido certamente um trabalho de cupim, a comer a madeira por dentro e deixar o de fora lindo, saudável e forte, para então um dia eu acordar e não ser mais eu, assim, bruscamente. Acordar pó por dentro e ver toda estrutura imponente ruir. Já não reconheço mais nada nada nada nada do que era terno. E de repente pareceu que sempre foi assim
bruto, áspero e cor de asfalto velho.
3 comentários:
Incrivel seu texto.
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Obrigada pelo comentário, as aulas de História do Brasil andam mexendo comigo.
:)
Nossa, acho que já vi isso, em algum lugar dentro de mim...
Mas pelo que ando lendo ainda por aqui, sinto algo de ternura do qual você detém conhecimento... acho que é questão de auto-releitura.
Terrível, essa sensação, né? Sentir que a estrutura, tão sólida, agora se foi, completamente corroída pelo cotidiano e por coisas que nos estragam e nos tiram a ternura sem ao menos nos darmos conta.
Há saudade do meu sorriso interior, tb.
Um beijo!
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