Talvez
a certeza seja uma tábua a qual fatalmente
nos agarramos em meio ao dilúvio caótico cotidiano...
mas com certeza a dúvida é necessária:
amplia horizontes alarga
nossas mentes a possibilidades
múltiplas, enriquecedoras, interessantes
e que nos fazem
seres humanos - se não melhores - ao menos
menos pretensiosos.
Eu juro que toda vez que venho tentando escrever ou exprimir algum pensamento ele me sai assim: paradoxal, péssimo e auto-anulante. Volto quando disser coisa com coisa.
3 comentários:
Que isso, o que você disse está permeado de corretude:
ultimamente tenho pensado que a certeza é como a moral: ela fecha as nossas cabeças para um caminho único; parafraseando Kant, este disse uma vez que as possibilidades surgem quando indicamos o caminho que é impossível. Se nada é dito, tudo é impossível.
A liberdade se constrói da mesma forma: quando a ética nos diz o que não podemos, mas não diz como (que é o que a moral faz), infinitas possibilidades nascem aos nossos olhos.
A dúvida é o que constrói nossa liberdade, e não a certeza: a certeza nos lambuza do ranço da pretensão, que nos ilude com a doçura de estar a salvo da morte, da dor e do erro.
E, sabes bem, nunca se está "a salvo" dessas coisas. Aliás, que bom que não estamos: o que nos faz dar sentido a vida é pelo fato dela acabar um dia, exceto por considerações de transcedência da alma.
No geral, deve-se lembrar de quando Hannah Arendt nos diz que a crise é boa quando nos serve para nos mover da comodidade e parar para refletir nos nossos atos.
A dúvida é nosso alimento, não há dúvida.
"parar para refletir nos nossos atos." = parar para refletir sobre nossos atos.
Eu sempre quis certezas. Gosto delas, exatamente porque me são como tábuas no meio de uma vida em que nada é perene. O problema é que as certezas também não são, e aí acabamos num ciclo sem fim.
Dúvidas nos fazem pensar mais, é verdade. Mudam nossas atitudes, pensamentos e nos fazem gastar mais tempo estudando essa ou essa palavra da frase duvidosa.
Mas fazer o que? Temos as duas, e temos de aprender a lidar com elas..
Bjinhos, sumida!
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