
Sempre à procura de um exílio daquilo que eu era, eu escolho. Se minhas fronteiras exibem um sinal de perigo, desafio-o. Cutuco com vara curta aquela onça amedrontada dentro de mim. É como se eu vivesse para me irritar.
Acabei no extremo dessa ladainha a encontrar um exílio real, mas oposto:
ao invés de exilar-me de ser quem era, encontrei-me em terras de mim - exilada de tudo o que tinha antes ao meu redor.
Descobri que essas terras de mim nunca tinham sido antes realmente habitadas. Ninguém nem mesmo ousou morar ali por muito tempo nem mesmo pra cartografar a geografia acidentada. Meus olhos correram em volta e sabiam que eu tinha muito trabalho a fazer. Podar árvores selvagens, domesticar cavalos ariscos, e tornar todos aqueles hectares em região habitável. Talvez assim eu mesma tivesse a coragem de morar ali, sem implicar com minhas próprias fronteiras e onças amedrontadas.
E assim parasse de implicar tanto comigo. Por ser assim, uma selvageria bagunçada.
5 comentários:
Talvez, pelo fato de agora estar longe de tudo, aconteça exatamente o que disse Descartes uma vez: quem viaja muito por terras alheias, torna-se estrangeiro em sua própria terra.
Agora que se reencontrou dentro de si mesma, seria como, depois de muitos anos, houvesse reentrado na velha casa onde viveste desde sempre, tocando e sentindo como agora, aquelas velhas lembranças que lhe constituíram mas que foram amontoadas de pó num lugar ermo da memória. Ou então, seguindo sua metáfora, voltando a velha casa, visse ela tomada de mato e bichos... as memórias voltando e retomando seus lugares a cada passada de facão no mato alto e espantamento com fogo das onças entocaiadas ali...
É claro que, não seriam todas as onças que dali deveriam sair, talvez. Como você mesma disse, viveria "sem implicar com minhas próprias fronteiras e onçar amedrontadas", ou seja, deveria perceber que haveria intrusos, mas também haveria algo da sua terra, de vc mesma, só observáveis após o decantamento mental dos elementos intrusos.
O tempo 'vago' faz muita coisa por nós mesmos. Conhecer cantinhos e os lugares mentais pra onde fugíamos quando havia problemas a resolver, a fundo, é uma parte dessas coisas. Vai ser bom podar as árvores e tornar um lugar um pouco mais habitável. Mas, nem por isso, será necessário ficar parada nesse lugar até que isso aconteça. Pare de se cutucar com vara curta, enquanto não doma a fera..
I'll be right here.
Caramba.
Sério mesmo, é mesmo necessário tanta abstração para que no fim das contas todos entendam tudo que está sendo dito?
É, eu sei, é você, eu sei que é necessário.
Estou com sede de sangue, que ajuda? Mais já aviso que estou para matar onças, e não pra brincaderinha de espantar não.
Um beijo.
Ass. Alucinado.
Todo mundo tem uma onça ou um elefante ou um búfalo dentro de si.Encarar a si mesmo faz parte da formação de cada um.
Adorei a foto!
Gostei mt do seu blog, voltarei mais vezes, com certeza. o meu éé esse aqui : www.alannastefhany.blogspot.com
haa! coloca aquele negócio de seguidores, gostaria mt de te seguir =D
Bjoo !
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