Eu nunca quis a sabedoria de mestre mais do que desejo a disposição eterna de uma aprendiz. Se a experiência mancha a ingenuidade invariavelmente, ao menos quero manter intacta a alegre surpresa da descoberta ou mesmo a inevitável tristeza da desilusão. Mas nunca a inércia.
Meu espírito varia entre o pessimismo e o otimismo e isso me faz parecer paradoxal às vezes. Diriam que até indefinível. E eu ora encaro como um elogio de quem as palavras não bastam para descrever, ora como uma definição para quem parece não ter definição nenhuma na vida. Otimismo e pessimismo. Em movimento contínuo alternado.
Às vezes suspeito que espero demais da vida para quem não sabe o que quer. E essa coisa de um querer sem foco leva minhas expectativas num nível de abstração suprasensível que me faz pensar na validade de se alimentar expectativas: boas ou ruins.
Continuo acreditando na importância do sonho como motor da vida, e consequentemente a expectativa inerente a ela. E continuo defendendo que a vida é movida por muitos sonhos. A expectativa maligna é aquela que impõe um único sonho pra mover a vida.
Que eu não restrinja a minha vida a um único motor.
Amém.
ps: escrito em 24 de abril de 2008. Tenho um monte de textos antigos escritos pro blog, mas que quando termino de escrever não me parecem bons e eu deixo empoeirando. Hoje reli esse e me caiu no gosto.
5 comentários:
Sim, nunca a inércia: não devemos deixar nós mesmos numa quietude constante mas também não devemos ser levados por apenas forças que sempre continuam nos jogando para frente mas sem consciência: há de se parar por um momento, tomar fôlego e voltar, sempre criando os nossos caminhos.
Talvez vc possa pensar da mesma forma como quando usamos da ética no campo da pedagogia: se usamos da moral em conjunto com o ensino, cerceamos a possibilidade e, o que parece que facilita por que dá um caminho só, na verdade esmaga a projeção para algo melhor, por que não deixa que quem aprende possa se lançar sobre outros caminhos, por suas próprias pernas. Assim, talvez não termos um foco, mas ao menos sabermos o que não queremos, pode ser uma boa alternativa... pode-se pensar como os modernistas na semana de 22: "não sabemos o que queremos, mas sabemos o que não queremos."
Não é mesmo paradoxal. Digo, no lugar da essência, há a construção constante e enquanto há a construção, há o crescimento, mas não que eu justifique que a inexistência da essência seja devido ao paradoxo da simultaneidade da essência com o crescimento: o que eu digo da essência é o seguinte: isso é construído, por referências que vc tem na infância, até o processo de "maturamento"... digo, vc concorda que se, por exemplo, seus pais fossem outras pessoas ou vc tivesse vivido de outra maneira, vc seria diferente? Me veio isso a mente por que deparei comigo mesmo diferente do que eu sabia de mim há alguns anos atrás... A idéia de essência parece ficar complicada por esse ponto de vista, por que também lancei mão de uma hipótese obscura e difícil de avaliar: se bem que a idéia de essência só faz sentido quando olhamos para trás também e nunca para frente...
muito, muito obrigada pelas palavras de carinho =)
segue sempre assim, cheia de sonho e vontade! eu te sigo!
ana carolina
A vida é movida por sonhos sim, se não, que graça teria?
Quanta taltologia, meu deus. Mais tudo bem,afinal de contas, quem escreveu o texto foi a complexa imensidão inerte do seu ser que tende a ficar em movimento. Movimento, esse, uniformimente variável.
Que coisa, é um paradoxo.
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