... e depois de tantas reticências, foi pontuando o meu último pensamento anterior nesse blog que encontrei finalmente o meu ponto final justo para esse espaço aqui. Injustificável em palavras, mas com um grande sentido pro de cá das coisas que me são íntimas. Ontem aconteceu de eu ver - de repente - com olhos que já não eram os meus.
Enfim, pra quem sempre viveu de reticências, asseguro que há de se encontrar o ponto final em algum momento. E a partir de então, um novo parágrafo a ser escrito
- que pode mudar o curso da história toda.
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| Imagem via: /davidsurfer |
Posfácio (???)
Escrever e saber que alguém podia me ler e compartilhar comigo de um pensamento que antes só dividia com meu travesseiro e meu caderninho de sobrevivências, me possibilitou - se não chegar às respostas - ao menos aprimorar minha capacidade de formular as perguntas certas. Foi escrevendo aqui que foi crescendo a sensação de que não existe uma verdade a ser procurada. Existem as dúvidas. E eu que sempre tinha procurado quais seriam as minhas verdades, sem saber que o mais importante era saber quais eram as minhas questões.
Suspeito que cada um carregue uma dúvida importante que deve ser descoberta. Não se trata de desvendar qual é a sua verdade, mas sim qual é a sua pergunta, a sua autêntica pergunta. Não raramente criamos milhões de outras dúvidas desimportantes a atrapalhar a nossa reflexão sobre o que realmente importa pra nossa vida, pra nossa alma (ah sim, no último post desse blog, ouso citar a "alma"!). Claro que não poderia ser fácil, sempre há espaço pra auto-sabotagem. Sempre! Mas começo a acreditar que quanto mais procurarmos saber quais são as nossas dúvidas reais - aquilo que realmente queremos saber, o que realmente nos importa perguntar - é que começaremos a refletir e trilhar um caminho em que nos surpreenderemos conosco, nos pegaremos boquiabertos ao desvendarmos nossas próprias manias, hábitos, medos, vícios, defeitos, qualidades, fraquezas, forças...
E é por isso que escrever me é tão importante. É por isso que adiei por pelo menos umas quatro vezes a tentativa de finalizar esse blog. Porque é aqui que me estruturo para conseguir ser desestruturada. Foi aqui que treinei a organizar aquilo que era caos - minha mente - e percebi que deveria aprender a organizar esse caos de maneira caótica. É difícil. Ainda não consegui totalmente. Mas chegar a esse pensamento, a essa tímida conclusão de que é preciso aprender a respirar o caos e a abandonar a ilusão de verdades absolutas, que me faz perceber que cheguei ao ponto. Ao ponto em que me deparei comigo, com uma eu que era aquela eu que eu estava precisando ser no início disso tudo.
Não sei se cabe aqui um "obrigada". Eu já deveria estar treinada, mas é estranho se referir de modo pessoal ao vento de pessoas imaginárias e futuras que possam ler essas palavras. Cabe de qualquer forma um "obrigada" que agradeça aos comentários de amigos leitores, ao carinho dos visitantes, às pontuações de anônimos.
Não deixa de ser difícil.
Era pra terem saído 7 linhas finais, afinal um ponto final é rápido. É pontual. Mas me permito (ou melhor, me rendo) à vontade de alongar quase em reticências homeopáticas o que é fatalidade. Uma fatalidade feliz. De um ponto final em que os sonhos não serão mais extraviados.
É feliz.

5 comentários:
Morri um pouquinho ao saber do fim do blog.
Já são quase 5 anos desde que eu comecei a frequentar seu blog, bebendo doses semanais de sabedoria. Vai fazer falta.
E obrigado!
Oi Victor! Obrigada a você, sempre presente aqui!!! Estou sem blog, mas ainda acompanharei meus preferidos até sentir a necessidade de - quem sabe - começar um novo blog! ;)
Faço minhas as palavras do Victor... é estranho, realmente, não ter lá no rss indicando uma nova postagem, para eu poder ir sedento ler este jeito inconfundível, esta maneira disfarçadamente impessoal, mas altamente cunhada sobre si própria (jeito que me apetece tanto que tomei como lição para meus textos!)
Eu tenho muito a lhe agradecer: desde que comecei a ler seu blog, acho que adquiri uma maneira melhor de escrever, de entender as metáforas como forma de não dar o entendimento completo de uma idéia, mas que pudesse suscitar o que se quisesse no leitor...
Agora, acho que cabe juntar todos os textos num livro, não é, srta Dani? =D
Venderia poucos, mas garanto que seriam vendas que valeriam a pena. (E imagino que é isso que importa, não é mesmo?)
Dani,
Estou visitando meus amigos e oferecendo meu sincero presente de amor.
Todos os dias improviso uma oração sincera: As mãos de Deus de um tamanho que me caiba.
Ao iniciar esta jornada, peço a tua proteção.
Volta teus olhos pra o caminho que ora vou trilhar, estendendo a tua proteção sobre todos os meus passos.
Ilumina a minha estrada pois, sempre que estás comigo, sou forte e capaz de suportar as lições que me destinas.
Orienta as decisões que deverei tomar.
Acompanha-me e certifica-me de que estarei indo ao encontro das minhas melhores opções.
Faz com que minha jornada tenha sucesso, Senhor.
Livra-me dos perigos, dos acidentes e de qualquer situação que me impeça de construir a minha felicidade.
Governa as minhas ações e o comportamento daqueles que podem influenciar o meu destino.
Dirige a tua luz divina para este filho teu que ora com fervor e é motivado pelo teu amor.
Que assim seja, para sempre. Amém!!!
(Oração inspirada no Salmo de Davi)
Meu desejo à todos os meus queridos, de um Feliz Natal! Esqueçamos um pouco os presentes, o consumismo e estejamos mais P.R.E.S.E.N.T.E.S., de alma e coração.
Beijo na alma.
Abraços, flores e estrelas...
Dani,
Minha "arrogância filosófica", neologismo recém inventado especialmente pra você, me permite questionar, contra-argumentar, enfim, discordar da sua conclusão. O extravio nunca cessa, nem quando fechamos a porta, porque a janela da alma sempre deixa a luz da vida, percebida caótica ou não, entrar.
Por outro lado, reverencio o seu eu-de-hoje com o mesmo orgulho que nutri por todos os seus eus-de-ontem. Sei que ele é o mais vivo de todos, pois é o único que goza dos prazeres e desprazeres do agora. Os outros eus, passados e futuros, vivem uma vida morta, uma vida apenas projetada mentalmente.
Eu que compartilho com você uma inconformidade existencial, já sinto um grande vazio sem os seus "devaneios", sem a sua "genialidade" perco uma inspiração. Cresce no meu íntimo uma revolta que se alimenta da sua ida e sonha com a sua volta, não a volta a um eu-de-antes, não um sonho egoísta que só quer saborear os seus extravios, mas o retorno ao caos através das palavras com as quais você presenteia a Teia da Vida.
Sim, perguntas são mais importantes do que respostas. Reticências não seriam sucessivos pontos finais ?
Beijos,
Fabio.
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