Tuesday, February 01, 2011

Vilanidade

Precisando de motivações a gente pode enxergar coisas muito estranhas. Dizem por aí

- serás teu pior e único inimigo por toda a vida.

Eu??? Recuso-me! É a comprovação da solidão sem escapatória, da arena deserta desprovida de golpes, sem os arautos marciais, sem arte, sem duelos ou dualidade. Recuso. Minha fraqueza pede um suporte, uma cara, um nome, um alvo. Pede substância pro tiro. Requer a emoção da reação, do ataque, do desvio. Precisa da atenção no movimento do outro, da bofetada do alter, da acusação nominada pra reagir.

Digo conscientemente:
- preciso mesmo é de um arqui-inimigo cruel.

Perdoem-me os especialistas do auto-conhecimento e da auto-superação. Preciso projetar meus ódios, meus medos, meus amores em suportes alheios. Não me serve pintá-los no espelho. Disso vem também o de escrever. Boto em letras o de mim, sim, mas sempre na provocação causada pelo outro, pela cena do outro, pela história do outro, pela fala do outro, pelo choro do outro. Vivo do comensalismo. Sem a alteridade não há.

Bem que sempre soube ser assim, mas tentei. Tentei projetar o vilão e o adversário dentro de mim, ser eu mesma aquilo a se combater, mas não surtiu o efeito: sou uma vilã condescendente demais com meus próprios medos. Tento a ridicularização mas só resulta numa auto-piedade sádica. Serve ao final pra só rir, e rir tira todo o crédito do maquiavélico. Não sirvo como meu próprio vilão, a sério.

-eu sempre precisei da projeção e não do reflexo.






The Hollywood Issue - Fourteen Actors Acting
The New York Times Magazine

2 comentários:

Anonymous said...

projetar o ódio não parece uma boa solução pra se manter motivada. projete sim mas que tal projetar algum otimismo? eu sei q você consegue

Daniela Yoko Taminato said...

amém sr. Anônimo!