Gosto muito de pessoas que se auto intitulam de "bem resolvidas" aquelas pessoas que nunca perdem a calma e vivem sob o lema de "o que tem de acontecer, acontece". Gosto muito de as ver, calmas e serenas, mesmo quando traídas ou magoadas, gosto do estilo com que passam ao lado da fase da raiva nessas etapas denominadas do luto seguindo imediatamente para a aceitação. Adoro quando dizem que "o que quero é que sejas feliz" assim que eles viram costas ou "Estou tão bem assim, sem ninguém a não ser eu própria" a ecoar pela casa enquanto mudam a areia da caixa dos gatos com que vivem (e só). Gosto do ranger dos dentes que só se ouve no silencio, da respiração ofegante quando ficam sós e se dão conta que talvez (talvez) algo esteja errado. Gosto que insistam na felicidade constante, na perfeição e na alegria do dia a dia, sem choro, sem erros, sem nada. Perfeito.
Gosto muito dessa aparente felicidade e a negação de que, quem sabe, todos nós falhamos de vez em quando e todos nós temos o direito em ficar zangados. Dessa camada de verniz de que nada as atinge, nada as magoa e tudo é perfeito. Gosto mesmo muito. Somos tão vencedores...
Gosto que se neguem à raiva, como se ele fosse um sentimento nefasto quando, no fundo, é libertador quando com peso e medida. Gosto quando engolem em seco e sorriem forçosamente, everybody's fine. Continua a convencer-te que está tudo bem.
Gosto mais ainda das lágrimas de sal que mancham as almofadas durante a noite escura e o dia em que rebentam e se tornam - segurem-se - humanas.
Me faltam somente os gatos. De resto...
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