Thursday, November 17, 2011

Travesseiro

Empregamos palavras
Sem ouvir o tom
o som
das vozes que já se calaram
e que falavam bem mais
do que hoje nos dizem as músicas
no rádio.

Mastigamos afetos
Sem degustar o sabor
o torpor
das essências dos abraços
que aconchegam mais além
do que as dores às quais nos apegamos
e às quais nos agarramos
no meio da noite
insone
pra que sintamos que pelo menos
estamos vivos
só porque escorremos
pelos olhos.

Escorri escondida.
Hoje moro no meu travesseiro.

1 comentários:

victor pompêo said...

Os abraços aconchegam mais além do que as dores às quais nos apegamos... mas às vezes a dor é forte e chata o suficiente pra monopolizar sentimentos e pensamentos e impedir que o abraço seja aproveitado. E aí só resta afastá-la. Rápido. Antes que o abraço se afaste também.

(às vezes permanentemente)