Na busca incansável e irrefreada pelo imprevisível e pelo impossível, às vezes esquecemos de parar e pensar no que realmente importa. Por vezes olhamos o mundo e tudo que há de errado nele, e tudo que há de mesquinho na política, nos países, na pobreza e na falta de caráter... e vemos as nossas próprias pequenas injustiças do dia a dia. Aquelas que por vezes cometemos sem perceber e também naquelas que cometem conosco. A cada dia se torna mais difícil pensar em meio a esse ritmo desenfreado da busca por sucesso e status.
Difícil alguém que pare para responder a si mesmo - quem é você? o que te faz transbordar? o que te formiga os pés? onde você está?
Difícil alguém que pare para responder a si mesmo - quem é você? o que te faz transbordar? o que te formiga os pés? onde você está?
Estamos acostumados a não pensar e quando pensamos, acabamos focados em nós mesmos - culpa de um ranço de egocentrismo infantil, talvez. Mas esquecemos que muito do que nos molda vem de fora: das circunstâncias em que vivemos, do país e da política que nos governa, do pensamento vigente, da filosofia cotidiana que orquestra nossa agenda e nem percebemos: trabalho, trabalho, trabalho, trabalho, trabalho, festa, baladas, futebol e mais trabalho, trabalho...
Não sobra tempo para pensar no Grupo Clarín e sua luta contra a censura de Kirchner, no atentado nos EUA que matou 20 crianças, na vitória do Corinthians, na investigação do envolvimento de Lula no mensalão e no buraco negro 17 bilhões de vezes maior que o Sol descoberto pelos astrônomos...
e questiono:
qual o sentido disso tudo? onde foi que perdemos a noção das coisas? ou nunca na história da humanidade realmente tivemos qualquer noção?
Vi incontáveis menções na timeline do meu Facebook sobre a vitória do Corinthians hoje, mas nenhuma menção ou indignação quanto ao juiz argentino derrubar a liminar que beneficiava o Grupo Clarín... nem mesmo qualquer frase sobre o homem que matou 20 crianças numa escola em Connecticut - ou algo até mesmo mais próximo da nossa realidade: nenhuma reflexão sobre o envolvimento de Lula no processo do mensalão.
Não sou contra a diversão: não torço o nariz ao entretenimento como uma velha carrancuda (dei meus gritos de torcedora assistindo à final) mas continuo sempre a não aceitar a disseminação massiva do entretenimento em detrimento ao enfoque de questões relevantes da nossa vida. Isso é onde estamos - o que de qualquer forma define um pouco do que somos.
Essa postura da grande mídia me incomoda, mas me incomoda mais ainda a posição inerte e alienada de todos nós. Quando foi que nos perdemos? aliás... quando foi que paramos de querer nos encontrar?
Tenho tido preguiça de gente e fome de personalidade. Enjôo de picuinhas e sede de implicâncias astutas. Tédio de falas clichês e empolgação por questionamentos incomuns.
Quanto mais aprendo, troco, duvido e debato, mais paixão tenho de viver, mais curiosidade tenho sobre o mundo ao meu redor, mais entendo que nada sei, mais me empenho em conhecer, em descobrir.
Quanto mais aprendo, troco, duvido e debato, mais paixão tenho de viver, mais curiosidade tenho sobre o mundo ao meu redor, mais entendo que nada sei, mais me empenho em conhecer, em descobrir.
Pode ser uma fase intelectual addicted, mas nada me dá mais tesão ultimamente do que a tríade:
aprender - escrever - debater
e espero não sair tão cedo desse ciclo vicioso.
"Escrevo pra derramar meu excesso. E enquanto escrevo, produzo o dobro. Quadrado vicioso."
aprender - escrever - debater
e espero não sair tão cedo desse ciclo vicioso.
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