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| imagem via Michael Oneil |
“O amor acaba”, disse Paulo Mendes Campos, em sua crônica mais bonita; só não disse o que fica no lugar. É na esperança, talvez, de entender essa estranha melancolia, esse vazio preenchido por boas lembranças e algumas cicatrizes, que nos encontramos a cada ano ou dois. Marcamos um almoço num dia de semana. Falamos do passado, mas não muito. Falamos do presente, mas não muito. Há uma vontade genuína de se aproximar e o tácito reconhecimento dessa impossibilidade.
Dois velhos amigos, quando se reveem, voltam no ato para o território comum de sua amizade. Reconstroem o pátio da escola, o Centro Acadêmico, o prédio em que moraram –e o adentram. Em três chopes, refez-se o antigo elo. Para os ex-amantes, no entanto, é impossível restabelecer o elo, o elo morreu com o amor, era o amor. O que sobra é feito um cômodo dentro da gente, cheio de móveis e objetos valiosos, porém trancado. Nesses almoços, estamos sempre no corredor, olhando para a porta fechada. Sentimos saudades do que está ali dentro, mas não podemos nem queremos entrar. Como disse um grego que viveu e amou há 2.500 anos: não somos mais aquelas pessoas nem é mais o mesmo aquele rio.
Ex, por Antonio Prata, na Folha

1 comentários:
É, concordo mais com o grego do que com o Mendes Campos: não somos mais os mesmos, tentar reviver aquilo só vai ser uma forma de mostrar o quanto mudamos. Mas e se a mudança for boa? E se nesses encontros fortuitos alguma coisa renascer no meio desses "mas não muito" que permeiam a conversa morna? Não vale a pena?
Digo que não , se a lembrança for ruim. Digo que não sei se a lembrança for boa.
É preciso pensar bem no presente do qual você "não fala muito", pra poder tomar as decisões.
:)
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