Friday, June 19, 2015

O mergulhador

Veio desbravar minhas terras antes que eu pudesse saber teu nome. Conheceu meu lar, meu chão, minha terra, as nuvens que estavam sobre a minha cabeça. Provou da neve que despencava por aqui. Alimentou-se da minha comida, inebriou-se com os perfumes que eram meus. Sobrevoou essas águas antes que eu pudesse te alcançar na fronteira do que eram as tuas costas. Sem saber como, vim parar aqui, na tua casa. Depois de cruzar o oceano sem saber que antes você já tinha ultrapassado o meu. 

Quis te ensinar o mundo todo submerso que existe. Te disse que os mundos cobertos pelas águas são menos explorados do que o solo lunar. E quis mergulhar não só nos teus pensamentos, mas naquilo tudo que era você.

Mas esqueci que para conhecer essas profundezas, nem mesmo milhões de tubos garantiriam meu oxigênio. Eu era ingênuo. 

Queria a liberdade de inspirar e expirar. De suspirar. De bufar e de pegar num grande respiro o ar do meu próximo grito. Mas quando se está no abismo do outro, é preciso enxergar a beleza que nos faz prender a respiração. E restar em silêncio.

Eu nunca soube mergulhar.

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