
Era numa manhã de sexta-feira. Podia ser uma segunda-feira, uma quinta-feira... podia ser até um domingo. Mas era sexta-feira.
Maria já não sabia o que fazer. Podia ser Camila, Fernanda, Paula... o nome trocado guarda uma identidade única. As últimas semanas tinham sido atribuladas demais pro seu gosto. Ela que gostava tanto de paz, se via em meio ao tumulto de tudo aquilo e já não sabia mais o que fazer. Podia ser paz... mas podia ser medo disfarçado de conformismo. Ela guardava tudo tão certinho na gaveta e dessa vez estava em frente a uma confusão dos diabos... afinal, quem será que fez aquela bagunça toda? Agora só olhava pra um armário que mais parecia um pandemônio!
Sabe quando você é criança e no dia de arrumar o quarto resolve socar tudo dentro do armário de qualquer jeito? Pois é... Maria tinha feito isso, não durante um dia de faxina, mas durante aaaaanos a fio, socando todos os sentimentos e sensações que não queria encarar bem no fundo do armário.
Mas mesmo quem nunca fez isso quando criança sabe que um dia o armário explode. Ou alguém vem checar a aparente organização do quarto e abre o armário, que nem preciso dizer, vomita com ferocidade tudo o que lhe foi empurrado.
Esse era o momento. O exato momento em que abre-se a porta do armário e você olha praquela montanhona de coisa que logo despenca em cima de você. Esse era o momento.
Mas não tinha sido ninguém que viera checar a limpeza. Não. Era Maria que ao abrir a porta (não se sabe se era porque tinha esquecido do armário lotado, ou por surto repentino de arrumação) se deparou com aquela baguncera toda. E sim, tudo caiu em cima dela. Sem dó. Sem piedade. Sem silêncio.
As leis da gravidade eram mais fortes. Ela tinha aprendido isso nas aulas de Física, mas nunca dera tanta importância. Agora a Física resolvera se vingar e aquilo era uma vingança mais torturante do que uma nota vermelha no boletim da escola.
A bagunça. Agora tudo voltava. Todos os sentimentos e sensações indesejadas caíam-lhe na cabeça como que para lembrá-la de sua existência.
O telefone tocou. Maria atendeu. Apesar do desespero do armário revirado, continuou sustentando a realidade falsa da arrumação. Só que nada estava em ordem.
Ela poderia ser considerada uma forte, mas era só uma criança assustada com um armário bagunçado. Com medo talvez de uma vistoria repentina. Mas ela se esquecia que a vistoria nunca viria... o que ela deveria temer era que talvez sua vida não ultrapassasse a tarefa de arrumação de um quarto. E enquanto isso o sol brilhava lá fora. Era uma sexta-feira. Podia ser uma segunda-feira, uma quinta-feira... podia ser até um domingo. Mas era sexta-feira. O nome dela é Maria. Mas podia ser Viviane, Fabiana, Clarice...
E o único que não escondia sua identidade por trás de um nome fictício foi a sexta-feira.
2 comentários:
Complexo... muito complexo... (Jackie põe o dedo indicador da mão direita no canto direito do olho e o polegar no quiexo - posição mais conhecida como: "cara-de-quem-entendeu-tudo-e-na-verdade-não-entendeu-porra-nenhuma." -)
Dani...acho que você precisa de férias, meu amor! Sério.
Os estágios em campos de concentração nazistas e as obrigações com chefinhos que são a cara do Hitler estão te deixando um pouco (mas só um pouco, que é pra não contrariar) cansada.
Tira férias, amor.
Esse negócio de troca de nomes e de dias da semana seria normal se você não estivesse sob condição de tortura escravagista.
Olha...dormir faz bem também, sabe?
Um beijo. Cuide-se.
Não me limito aos posts, também leio comentários. Você tinha outro blog? Seria aquele coletivo? Maria, Maria... depois de dois anos, como estará este guarda roupa?
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