Friday, February 03, 2006

Retomando o Cavaleiro da Triste Figura



Era sempre assim. E eu já estava acostumada. Sério. Até guardei as minhas loucuras bem guardadinhas na gaveta, como quem guarda uma frágil coleção de conchas do mar. Certo é que todos os dias, naquelas horas mais íntimas, tirava todas, uma por uma e, tal como Hamlet com sua caveira, também olhava bem para elas e questionava.
Questionava simplesmente. Mas o que esquecia era que minhas loucuras eram justamente questionamentos, e em vez de procurar respostas acabava criando mais e mais perguntas. Depois, como sempre, voltava a guardá-las. Guardava como quem esconde uma face deformada com uma máscara, tal como o Fantasma da obra de Leroux.
Vivia minha vidinha medíocre. Medíocre. Adjetivo que não desaprecia, mas que, como você mesmo me falou, significa continuar na média. E eu continuava na minha vida mediana. Sem grandes alegrias, sem grandes tristezas.
Daí você apareceu.
Eu só tinha minha armadura enferrujada, minha lança velha, um cavalo magro e um monte de loucuras na minha gaveta. E você ainda topou me acompanhar numa aventura de cavalaria mesmo sabendo que já estava fora de moda. Foi assim que você se tornou meu escudeiro fiel.
As minhas loucuras agora já não ficavam mais no fundo da gaveta. Você me deixava à vontade e eu cheguei até mesmo a pensar que tudo aquilo que eu dizia loucura era na verdade sanidade. Pode acreditar nisso?
Eu questionava e você respondia, ou ainda juntava os seus próprios questionamentos com os meus. E a gente saía em busca das respostas, iniciando uma nova aventura.
Pode até ser que os dragões sejam moinhos de vento... pode ser...
Mas sabe que eu até gosto do gosto da nova aventura?
Igualzinho à história do Cavaleiro da Triste Figura... com a exceção de que minha figura já não era mais triste.

3 comentários:

Anonymous said...

Que bom que a figura já não é mais triste!!!

Anonymous said...

Não tenho muito a falar que já não seja conhecido a respeito de sua competencia... então me vale um comparativo, sua narrativa me regressa a José Saramago. Continue com a escrita para que seus textos continuem melhorando sempre, quem sabem um dia vc não escreve um livro de verdade... digo isso por ser seu blog, como eu disse pelo msn, diferente dos outros da net.
bjão
GAMBATTE

Marcelo said...

Hum... será que me faço de bobo acreditando que o "eu" prosaico seja a autora destes textos? Ou será que na verdade tanto o Sol como o caveleiro não tenham sido mal interpretados por um tolo que acha que tudo se resume à relações homem/mulher?

Pena que não te encontrei mais no MSN. Pena que não responde meus e-mails. Pois quanto mais leio, mais confuso estou ficando.