Tuesday, March 28, 2006

Casquinha


Formavam uma bela dupla. Era engraçado as traquinagens, as bagunças e tudo o mais que aprontavam. Eram terríveis!
A professora do maternal mesmo dizia que davam trabalho. Não paravam quietos nem na hora da soneca à tarde. Não paravam quietos e nem se desgrudavam.
Era o mesmo colchão, a mesma coberta, os mesmos motivos engraçados que causavam a risada incontida, as mesmas brincadeiras que resultavam num machucado que logo virava casquinha. Casquinha...
Adoravam vê-las nascer. Plaquinhas durinhas daquele negócio vermelho que escorria quando doía... era choro do joelho ralado que secara. Tem coisa mais legal que um choro que cessa?
Às vezes um queria tirar a casquinha do joelho do outro e daí a ferida voltava a chorar vermelho. Doía. Brigavam. Mas logo depois estavam rindo despreocupados, pendurados na figueira do jardim da escola.
A lancheira era sempre dividida. Não porque faltassem guloseimas... era apenas um simples desejo de dividir que resultava numa sobra. Uma sobra de doces, sucos, lanches e amores.
Um dia porém aconteceu.

A traquinagem não tinha mais graça.
A figueira já não parecia tão grande.
O colchão ficara apertado.
O egoísmo encolhera a lancheira.

A casquinha não se formaria dessa vez...

2 comentários:

Anonymous said...

Aiii essa doeu
hummm é como visitar a casa q vc cresceu depois de alguns anos se ve-la.... nem eu ...nem vc passamos por isso alguma vez ....mas q seria diferente .. isso sim seria ...
ta escrevendo cada vezz melhor guria ...da até vontade de escrever tbm...
mas nos ultimos tempos... nem o red ta me aparecendo nas mãos na hora certa =/
=** te gosto

Marcelo said...

Ah, se forma sim. O mundo parece acabar algumas vezes, mas sempre chega a hora em que superamos nossas dores. À não ser quando morremos com elas ou delas.