Sunday, March 26, 2006

Eu... marionete do duelo


Ela caminhava de um lado para o outro nervosa e inconformada. Era sempre assim... não mudava nunca!!!

Ele olhava insistentemente para o chão, os olhos grudados numa coisa invisível como se seus olhos enxergassem um mundo além. E parecia ser um mundo de palhaços fora do espetáculo, um mundo de trapezistas que tinham medo de altura, de malabaristas desequilibrados. Um mundo de um circo sem futuro.


Ela ficava cada vez mais irritada e à medida que sua irritação crescia, crescia também uma compaixão que só a deixava mais irritada, num ciclo sem fim!!!
Por que afinal ele não falava nada? Por que carregava aquele semblante triste, de uma tristeza conformada e absorta na dor do esforço de esquecer a dor?
Ele pensava que aquela ferida só precisava de band-aid... e ela sabia que era preciso alguns pontos. Sangrava. Não parava. Jorrava. Logo infeccionava.
Mas ele era teimoso.
Se contorcia de dor mas agüentava firme. Sem fazer um pio. Ímpio era aquele que tinha olhos de piedade. Isso era insuportável. Preferia ficar no in-suportável porque o dentro abarcava, mesmo que quase estourando, toda a dor que julgava suportável.
Impaciente, ela resolveu parar e encará-lo. Pra ver sua cara. Sua dor e força rara. A dedicação lhe era cara agora na hora da derrota. Perdera o norte, a rota e ficara roto.
Que todo aquele afeto o afetou, era fato. Mas ela sabia que não podia deixar aquilo como estava.
Decidiu.
Ele não iria chorar, desabafar, definhar... pelo menos não na frente dela. Começou então a falar e falar sem parar. Sem esperar resposta. Apenas começou a pensar alto e construía agora sentenças de fim. Definia hipóteses, levantava argumentos e espiava com o canto do olho o canto que ele olhava insistentemente.
Sabia que o muro forte de argumentos que levantara com a persuasão parecia não fazer a diferença para ele. Talvez ele fosse mais forte do que ela pensara.
De repente ele sorriu. Um sorriso leve, triste e sereno. Sorriso de quem está machucado. Sorriso de quem está desiludido. O lúdico agora era sentar-se e olhar para o nada... e dar aquele sorriso...
Ela nunca o entenderia. Ele nunca a entenderia. Tendiam a ficar inertes em seus pontos de vista. Nunca entrariam num consenso.
O senso realista da Razão.
A razão sensitiva do Coração.

Eu... eterna marionete do
duelo entre o sentir e o pensar.

2 comentários:

Anonymous said...

não vejo problema de ser um outro marionete... uma questão de confiança talvez... ou da dúvida entre o pensar e o sentir fazer uma nova palavra q fosse os dois O_o
escreveu muito bem =)
te adoro de mais guria =****
queria parar e conversar algumas horas com vc =(
acho q já to com saudades né? hauhauahu
=*** se cuida =)

Marcelo said...

Duelo entre o sentir e o pensar... para quê? Quando deixá-los brincar juntos te faz muito mais feliz?