
Pensava nas coisas de um jeito diferente. Seus olhos enxergavam tudo como se tivessem lentes que transformavam a vida numa metáfora e os fatos em parábolas. Via e vivia metaforicamente, e assim atribuía outros sentidos, tirava fotos em outros ângulos, interpretava quadros de outras formas, subjetivava o objetivo. O óbvio lhe parecia tão sem-graça... era preciso buscar a multiplicidade das coisas, buscar outras tonalidades ainda que as cores fossem as mesmas.
Chamavam-na de complicada. Era apenas múltipla.
Não queria o unilateral. Queria o tridimensional... aliás, o multidimensional! Tinha facetas várias que os outros viam como múltiplas identidades de uma alma indecisa, mas era apenas a complexidade que tornava tudo um mistério a ser descoberto todo dia. Essa era a graça da vida. Assumiu o posto integral de investigadora e viciou na epifania.
...
Umas pessoas corriam sozinhas, outras com um dos pés amarrados umas nas outras, em duplas, q nem aquelas gincanas que a gente participava quando crianças. Um dia em meio à corrida ela decidiu desistir de tentar sincronizar os passos. Tinha cansado da falta de sincronismo. Os dois estavam cansados de se esborracharem no chão enquanto os outros passavam na frente. Um queria ir por uma direção. O outro, por outra. Então desamarraram o laço que os tornava um com três pernas, e voltaram a ser dois. Sentiram-se com um grande peso a menos, com mais liberdade, e começaram a correr como nunca!
Realmente era muito mais fácil correr sozinho, mas não havia mais risadas pelas trapalhadas, não havia mais incentivo pelo sorriso um do outro, apenas havia a competição, e a pressão de se chegar à linha de chegada primeiro. Mas será que um troféu ganho sozinho valerá a pena? Será que o primeiro posto do podium, o banho de champanhe, poderão lavar também a alma?
...
Ninguém entendia o que ela falava. Ela falava por metáforas. E não era realmente a vida uma grande corrida? Uns tentando chegar primeiro que os outros, atropelando-se nesse mundo de disputas e batalhas. Mas ao longo da corrida, alguns decidiam amarrar seus pés um ao outro e correr juntos por mais que as coisas se tornassem mais difíceis. Um relacionamento era uma dupla com os pés amarrados. Para conseguirem continuar indo para a frente, era preciso sincronia, paciência, porque cada um tem o seu ritmo de passo, de caminhar. Se um tentar ir mais rápido, sem respeitar o ritmo do outro, os dois caem. Se um quiser o caminho da direita e o outro o da esquerda, os dois não saem do lugar.
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Prontos para a largada?
...3...2...1... Jáááá!!!!
6 comentários:
não, eu não to pronta para a largada.
Eu naõ sei se quero ter três pernas. Não sei se naõ quero. Não sei...
não.......
Múltipla: essa é a palavra!
Amo...
bjinhos
Vamos ver se dessa vez consigo comentar =P
meu..falando sério ...eu tentei umas 5 vezes comentar aqui ...e esse negócio num dava certo XD
1,2,3 e já
quer ir até a chegada comigo?
=**** te adoro muito
vc já viu o horário desse seu ultimo post?...quanto 5 XD
=*
Atualizaaaaaa
saudadis de ler oq vc escreve =/
=*
atualiza.. seja aqui, seja no retratos...
Quero ler o que se passa aí dentro.
Pq por aqui, ainda não da pra saber.
Um beijo grande no coração.
Encarar a vida como uma corrida é um ponto de vista interessante. Mas a gente conquista a felicidade assim? Atropelando os outros? Ela não deveria ser alcançada independente do que ocorre no mundo exterior?
Sob esse ponto de vista, viver à dois implica mesmo em ter três pernas e poder se atrapalhar. Por isso que não gosto de ver as coisas dessa forma. Prefiro acreditar que todos somos anjos de uma asa só e que podemos voar apenas quando estamos às dois.
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