Monday, June 25, 2007

A ilógica da Felicidade

Sonhei penhascos e acordei abismada em meio ao edredom. Lá fora era outono. Nesses tempos, eu vivia as quatro estações em uma semana.

Olhei para a parede lotada de momentos congelados que me encaravam com seu cheiro de roupa velha. Tentei vesti-las, mas não couberam. Eram sorrisos G e agora parece que em mim só cabiam os menores modelos, de cor amarela, tamanho PP.

Afastei de mim tentativas frustradas de ser o meu ontem e tentei injetar um pouco de ânimo me espreguiçando,
sentindo os limites que me impunham meus próprios braços, pernas, tronco, na minha tentativa de ser infinita.
Eu tenho pensamentos ridículos. Desisti até mesmo de dividi-los com as folhas do antigo caderno. Era melhor. Eu já não me encontrava em mim, e achava que muito menos me encontraria em outros. A felicidade era utopia. O que existiam eram momentos felizes. Felicidade era adjetivo que alguém tratou de substantivizar para dizer que era eterno. Já pensava assim fazia anos, mas vinha adiando minha defesa de tese. Talvez o mundo, nem os idealistas teriam sobrevivência dali em diante.

O que existem são momentos felizes. Repeti diante do espelho com seu cabelo bagunçado e seu vazio de refletir. Só podia filosofar com ele. O que existem são momentos felizes, e a cada dia que passa, temos uma concepção diferente do que nos faz feliz ou não. Em tese, a felicidade é mutável. Muda conosco e nós mudamos com ela. Correr atrás da felicidade então, seria bobagem. Primeiro, porque ela não existe. Segundo, porque correr atrás dos momentos que nos fariam felizes, se mostrariam inúteis, já que nunca saberemos o que nos fará felizes no momento instante da procura, e mesmo que soubéssemos, os momentos são mesmo regidos pela força do acaso, e não regidos pela nossa vontade.

Não sei se acredito em acaso. Sigo a herança da humanidade em pensar que existe algum sentido. Os humanos vivem atribuindo significados às coisas. Inventaram a palavra, os números, a filosofia, a religião. São seres simbólicos e se gabam por isso. Nomeiam como: racionalidade. E então sorriem largo e se sentem seguros.
Evitam pensar em coisas que ainda não conseguem explicar. E dizem que por trás de tudo há sentido, que as vidas são viagens em busca da felicidade real.

Qual a dificuldade em aceitar a não-lógica? Porque existir com finalidade nessa mesma existência apenas, não pode ser o bastante?

E assim seguimos tentando atribuir sentidos ao que não se deixa nomear, seguimos em busca do inexistente, fazemos passo-a-passo o segredo para a felicidade da receita que nos deram, mas que ninguém comprovou que realmente funciona. Não queremos largar essa velha receita e continuamos chorando cada vez que o bolo queima. E tentamos de novo. Seguindo exatamente o escrito. Novamente.

Mas eu não defenderei minha tese. Talvez o mundo, nem os sonhadores teriam sobrevivência dali em diante.

Talvez nem eu.

2 comentários:

Dod Bylan said...

Daaani!!
vc atualizou isso aqui!! =)
e ficou muito bom... tah de parabens...
mas discordo de alguns pontos
auhauhauha
bjo

RIDO said...

Dani, adorei o texto! Demais! Como nós escrevemos temas semelhantes! Gostei da perspectiva pragmática com que abordou a felicidade. Creio que o ser humano tem medo de encarar o mundo como algo sem sentido. É um pouco desesperador. Mais desesperador ainda é ter a faculdade de perceber isso e nada poder fazer... O homem teme o caos.
Beijão!!!