Ela abriu o caderno depois de mais de um ano. A caneta parecia estranha à mão e a caligrafia ainda bambeava torta e incerta. Agora os dedos eram mais acostumados a bater teclas e tinham esquecido da sutileza dos traços.
Tinha lido tanto de seu passado nas antigas páginas, que lhe veio repentinamente a vontade e a necessidade de voltar a reescrever sua história. Ela sentia a necessidade de ser a personagem-narradora.
Agora que a mão acostumava às letras, a visão e o pensamento estavam ainda reduzidos ao óbvio. Tanto tempo destreinados pela falta de tempo da vida, caídos no abismo do não-tempo de viver, agora não conseguiam perceber os milagres.
“Quando nada acontece há um milagre que não vemos”, disse sabiamente Guimarães Rosa. Ela estava temporariamente cega para os milagres do nada.
Tinha lido tanto de seu passado nas antigas páginas, que lhe veio repentinamente a vontade e a necessidade de voltar a reescrever sua história. Ela sentia a necessidade de ser a personagem-narradora.
Agora que a mão acostumava às letras, a visão e o pensamento estavam ainda reduzidos ao óbvio. Tanto tempo destreinados pela falta de tempo da vida, caídos no abismo do não-tempo de viver, agora não conseguiam perceber os milagres.
“Quando nada acontece há um milagre que não vemos”, disse sabiamente Guimarães Rosa. Ela estava temporariamente cega para os milagres do nada.
2 comentários:
Certas coisas são como andar de bicicleta, a gente nunca esquece.
Num momento de puro devaneio pela Internet encontrei seu blog e me encantei com as suas palavras.
Parabéns pelo que escreve, você é alguém realmente sensível e de olhar agudo sobre o mundo. Virou favorita :]
Beijo!
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