De repente uma indiferença astronômica tomou conta de tudo. Assim, como uma desistência amoral de mim: dou-me muito trabalho. De noite, não me deixo dormir e causo-me olheiras de cansaço. Preciso contar-me histórias para que o sono venha e para que eu sonhe coisas que nem ao menos me permitirei conhecer quando acordar. Teimosa, ignoro-me e não me ouço os conselhos, que inúteis a mim, vomito aos inconsoláveis amigos com ar de sabedoria grandiosa. Bobagem! Nem eu mesma dou-me crédito. Mas é preciso uma certa paciência quase maternal para agüentar-me. Sou como uma filha de mim, que recusa brócolis no almoço e arrasta ursinhos de pelúcia pelos corredores da casa a cantarolar qualquer canção de roda.Um dia ensino-me a mim mesma a ter juízo. Mas desobediente que sou, apelar para castigos talvez fosse mais eficiente. Quem sabe um mês em reclusão no isolamento de mim. Será tanto tempo obrigada a conviver-me comigo, que talvez comece finalmente a seguir aquela vozinha baixinha que diz:
não é isso, não é isso, não
é
isso!
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