Sunday, November 30, 2008

Quase nada

É incrível como a nossa prepotência nos faz acreditar que estamos seguros e que a vida humana é um bem supremo protegido. Já atingimos um nível de tecnologia e meios de controle sobre a natureza que ultrapassa o perigo primitivo de luta pela vida. No entanto, pessoas à nossa volta morrem de fome e de frio. Existem pessoas que reviram lixo para encontrar algo para comer. Que civilização!
Milhões de pessoas em Santa Catarina desabrigadas por um temporal. Muitas mortes que não deveriam ter sido destas. Até quando pessoas vão morrer e sofrer por motivos, que bem sabemos, não deveriam acontecer desta maneira?
Na sexta-feira vi um homem tombar. Já é sabido que o sofrimento alheio já não causa mais comoção. Mas não me deixa de ser chocante quando vejo esta indiferença se manifestar. Em meio a pelo menos vinte olhares frios imóveis, pedi reação. Uma ambulância, no mínimo, que alguém chamasse uma ambulância!

E o mendigo sujo, com cheiro ruim, quase animalesco já sem traço humano ficou debatendo-se como um animal abandonado enquanto olhares fingiam cegueira.

E um troço qualquer dentro de mim revoltou-se. Um nojo que não quer sair. Um nojo que acabou ultrapassando todos os indiferentes presentes na cena e estendeu-se a mim mesma.
De repente senti nojo de mim também.
Protestar em meio a olhares indiferentes num estacionamento cheio de carros luxuosos do Itaim Bibi me pareceu muito pouco.

É tudo muito pouco. E a vida humana,

quase nada.

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