Monday, December 01, 2008

Saber ter para então querer

"Não acredito que o sofrimento, puro e simples, ensine. Se o sofrimento por si só ensinasse, o mundo inteiro seria sábio, uma vez que todos sofrem. Ao sofrimento devem-se acrescentar o profundo pesar, a compreensão, a paciência, o amor, a receptividade e a disposição para permanecer vulnerável ao próprio sofrimento”.
Anne Morrow Lindbergh

Penso que a arte verdadeira seja saber viver leve, com um sorriso no rosto que não necessariamente ateste imbecilidade e alienação. A arte verdadeira de saber ser alegre conscientemente, sem cair no pedantismo sofrível que facilmente se cai ao filosofarmos.
Eu não quero a tristeza doentia dos pensadores. Não quero a leviandade dos inconseqüentes. Experimentar os dois lados ao extremo atribui ainda mais importância ao equilíbrio que eu nunca consigo alcançar.
Só conheço a alegria em doses narcotizantes. Não dura muito tempo. Assim como a alegria sintética - passa e, ou nos faz buscar sempre mais num vício nojento, ou nos deixa vazios em seguida como se o nada fosse explodir-nos.
Odeio narcóticos. Odeio os vícios. Mas não conheço outra coisa senão o extremo da alienação eufórica ou o pesar triste, bem triste de quem enxerga o enigma do cotidiano e não sabe como levá-lo indecifrável nos dias.
Pensar a vida que vale a pena ser vivida traz uma sensação de incompletude que me revolta. O que tenho não me basta, e me sinto pecadora por não bastar-me a mim. O querer é coisa perigosa. Há quem deva passar a vida toda a querer por simples incapacidade de não saber como bastar-se.
Que o querer também pode ser vício, é fato. Há para quem não basta o ter. E assim, a sensação da conquista acaba suplantando a necessidade de “saber ter”. Nesse ímpeto insaciável de cativador, acabamos por conquistar milhares de coisas que nunca serão nossas pelo simples fato de não sabermos tê-las.
Acredito que eu deva aprender a ter as coisas que quero antes de querê-las.

Do consolo que me resta, apenas um pensamento:


“Se você não está confuso, é porque não está entendendo nada”.
Jim Dodge

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