Todo adeus é diferente. Mas de uma mesma tristeza que mancha os olhos e que bota nas pupilas um feltro opaco. Olhos que baixavam ao chão e maldiziam a fatalidade, o acaso, ou qualquer coisa que fosse culpada por tudo aquilo.Era brisa leve e sol leve. Alguém dormia. E mesmo a mais forte intenção de não chorar, chorou. Não bastavam lembranças. Mesmo pequenos convívios. Coisas de rotina que vizinhos testemunham pelas frestas das janelas. Os passos sempre apressados e desengonçados. O arfar afobado que não se escondia entre as palavras numa conversa bruta de informações essenciais somente. O cumprimento de mão afastado já correndo para o próximo compromisso. A simplicidade de quem tentava superar as limitações daquela queda da laje na infância.
Minha memória recorda as broncas das peraltices que eu incentivava na vizinhança. Ele carregava o peso da responsabilidade de adulto. E naquela época eu não sabia.
Agora a consciência adulta me entristecia a caminhada até o destino final daquela tarde. A minha esperança infantil me fez esboçar um sorriso pelos cataventos coloridos girando naquele gramado imenso de flores.
No meio de muitos vultos pretos tristes, um joão-de-barro fazia sua casa no topo da árvore que nos dava sombra a querer nos mostrar que o milagre da vida continua. E continuar da melhor forma possível era a única dívida de todos a ser acertada, não com ele (que foi embora cedo demais), mas consigo mesmos.
3 comentários:
Espero que estejas bem.
Meio sombrio, né?
Você voltou (:
Fique bem! Há torcida.
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