Wednesday, August 26, 2009

De efeito


Quem analisasse poderia encontrar-lhe todos os defeitos e talvez concluir que o resumo de sua existência fosse apenas barulho de folha levada ao vento. É que não sabia mais insistir, porque insistir dói demais. Tinha se apegado tanto ao passageiro que a sensação de liberdade virara vício. Quase tudo parecia ter data de validade, prazo marcado, contrato temporário para assegurar o fim. Porque o fim era de uma liberdade dolorida, mas ainda sim libertária. Sem mais jogos, torturas, ilusões ou esperas. É que o amor é tão humilhante que é até bonito. É preciso força. Até o amor exige. Mas o que havia ainda eram milhões de ensaios. Para um amor. Que talvez algum dia se faria sentir.

Do supremo egoísmo: "Preciso de alguém que me faça resistir a querer ir embora"

2 comentários:

Alberto K. said...

Então, na verdade são múltiplas as interpretações. "Retirar-se" pode significar descansar.
O fato de o mestre ter apagado a vela, que simboliza a luz, pode significar que ele queria que o discípulo buscasse a própria luz... Ou então de que o discípulo já continha em si a luz necessária...

Tem muita coisa que dá para captar no texto (ou pelo menos pressupor a existência)...

Alberto K. said...

E quando se fizer sentir, o será feito com a mesma graça da barba do velho ator que não decora mais os textos: vive-os.