
Era uma vez ele, que vivia somente os fatos. Fadado a ver para todo o sempre a realidade visível somente. Vislumbrava a refração da luz nas gotículas do ar e só. Não havia algum lugar além do arco-íris. Era uma vez ele, que acreditava só naquilo que se comprovava. Era uma vez ele, que tinha contratos e não relacionamentos. Era uma vez ele, para quem a subjetividade era uma grande besteira e as terapias alternativas, as maiores lorotas da humanidade. Era uma vez ele, que pactuava com cláusulas de garantia. Era uma vez ele, amaldiçoado pelo empirismo radical dos contos da vida. Um dia então conheceu alguém imune a qualquer certificado científico, inclassificável de acordo com as regras universais, inapreensível por qualquer experiência indutiva ou dedutiva: nem a lógica garantiria. Alguém que não era princesa, não era perfeita e nem oferecia apólice de seguro. Com ela os fatos não cabiam, a lógica desbaratinava, a metodologia era infame. E então ele, que vivia somente de fatos, descobriu que a felicidade era significado e que, pelas regras da probabilidade, teria mais chance de adentrar em sua vida se ele então transformasse seus atos em fatos significativos. Porque viver ia além das funções biológicas, das sinapses ou de atividades enzimáticas. Ir além para viver significando:
amor para a tristeza
conforto para a dor
apoio para a fraqueza
conforto para a dor
apoio para a fraqueza
lembrança para a saudade
de um alguém.
2 comentários:
Já dizia Vinícius de Moraes: "a vida é a arte do encontro embora haja tanto desencontro nessa vida". Tão importante quanto o caminho que escolhemos tomar são as pessoas que cruzam e modificam nosso caminho.
Belo texto, guria. =)
Beijões!
Amei o texto, de verdade *-*
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