Sunday, September 06, 2009

Have you ever...?


Alguma vez você de repente se pegou pensando que queria uma felicidade que ainda não tinha e então sentiu como se houvesse um abismo enorme pra que algumas coisas se tornassem reais?

Alguma vez você já investigou uma agenda de telefones lotada de números e não conseguiu imaginar nenhuma combinação que fizesse sentido naquela hora?

E já se pegou enxergando quase tudo como manutenções convenientes? E encontrou-se desejando livrar-se de tudo que não fosse real só para abrir espaço para coisas que realmente significassem?

Alguma vez você, esclarecido e independente, já se pegou querendo os tradicionalismos sentimentalistas e cafonamente ideais? E já confessou na solidão do seu travesseiro que também é afetada e que se importa? Que é alcançável e que tem um coração que existe? E que não, você não o exporá a torto e a direito, seja por medo ou por cautela?

Alguma vez você sentiu em um momento que algo inexplicável quebrara para sempre? E que certas coisas são mais sustentadas pelos detalhes do que pelo grandioso? E finalmente percebeu que tinha um dom para ser desastradamente estabanada e que cultivar detalhes amedrontava?

Alguma vez você duvidou de que conseguiria? E quis que alguém dissesse que era capaz sim, sem que soasse clichê ou parecesse uma resposta automática convencionada socialmente? Alguma vez você quis ser outra pessoa? Quis pensar de outros jeitos que não fossem os seus? Quis falar com outras vozes que não fossem as suas? Quis ter alguém do seu lado que risse das coisas mais imbecis do mundo sem medo de parecer idiota, de arranhar o próprio ego... sem medo dos julgamentos alheios que provocaria?

Alguma vez você considerou que talvez todas as sensações anteriores se devessem mais ao seu próprio estado de espírito do que ao mundo real e quis então não sentir mais nada? Sentiu em seguida vergonha de ser tão fraca?

E no final concluiu que tudo haveria de passar...
ou acabaria por modificar...

algo de essencial?

3 comentários:

Alberto K. said...

Acho que entendo... (se é que isso importa)

Enquanto os filósofos, preocupados, nos dizem para tomar cuidado na busca da transcendência sobre coisas mundanas (e na verdade, na busca de qualquer transcendência), enquanto tomam um café, sem nenhum açucar, nos metemos a abrir o sachê e taca-lo... e não um, mas todos quanto necessários para tornar um pouco menos amarga a solidão inerente à vida...

Enquanto sós, ficamos mais mudos... mesmo nos monólogos com os outros eu's, parece faltar sermos perante alguém... É como se, alguém nos levasse até um arbusto e dissesse: veja o que aqui está escondido! Se somos nós o arbusto, quando alguém achasse em nós, a capacidade, nos transmutaríamos em outro eu, talvez melhor (sem transcendência nenhuma; é re-sentir a vida).

Não terei a pretensão de matar toda significância possível do texto enunciando qualquer coisa consoladora... mas, desejo que se algo essencial for modificado, que lhe faça bem.

Marcela Brunelli said...

A gente precisa MESMO conversar.
Que dia, essa semana?

Senti coisas muito fortes no seu texto. A carapuça serviu, realmente.

Beijinhos

Koji said...

Já. Do começo ao fim. =T