Monday, December 21, 2009

No varal

Lá vai-se embora meu mundo sem mim...

Eu gosto de organizar as coisas naquele fio bem esticado e linear. Vou pendurando tudo, botando ordem - se o importante nasce na direita ou na esquerda? - e assim categorizo tudo naquela suspensão existencial de pregadores coloridos.

Me deixa feliz a ordem das coisas, uma sucedendo a outra assim tão perfeitamente como só as fileiras podem ser. Uma coisa de cada vez, cada vez com sua coisa.

Eu nunca gostei mesmo daqueles móbiles coloridos e tão desordenadamente dançantes que me provocavam um choro irritado de sono de berço importunado. O varal era tão mais bonito!

Desde sempre assim. Gostava e ponto.

Gostava de pendurar tudo, qualquer coisa. Olhava quietinha o vento bater e quase balançar, bagunçar, mas nada não rodava não. Resistência e flexibilidade. No máximo balançava com ritmo de pêndulo teimoso e depois quando parava o vento, voltava pro lugar pregado. Tudo é que devia de ser assim.

Todo esse mundo caótico devia era ser pregado no varal. Não teria mais nada de móbile do universo com esse monte de planeta girando e rodopiando em volta do sol. Bate um ventinho mais forte e os fios se enroscam todos, colisão, colisão, colisão. Caos. Imprevisibilidade. E 2012.

Todo esse mundo caótico devia era de ser pregado no varal. Já falei pra mamãe tirar aquele móbile do berço...

2 comentários:

Alberto K. said...

Eu ia falar dos calos...
Mas acho que, então, se há permissão de usar tuas palavras, se espera que após o calo, a ferida arda e faça chorar... e depois, nos faça tomar cuidado com passos muito longos ou muito curtos.

Quer dizer, depois do calo, vem o aprendizado como consequência?

E há essência de universo?

Mah Jardim said...

As coisas penduradas ocupam menos espaço, são mais práticas
=]