Eu gosto de organizar as coisas naquele fio bem esticado e linear. Vou pendurando tudo, botando ordem - se o importante nasce na direita ou na esquerda? - e assim categorizo tudo naquela suspensão existencial de pregadores coloridos.
Me deixa feliz a ordem das coisas, uma sucedendo a outra assim tão perfeitamente como só as fileiras podem ser. Uma coisa de cada vez, cada vez com sua coisa.
Eu nunca gostei mesmo daqueles móbiles coloridos e tão desordenadamente dançantes que me provocavam um choro irritado de sono de berço importunado. O varal era tão mais bonito!
Desde sempre assim. Gostava e ponto.
Gostava de pendurar tudo, qualquer coisa. Olhava quietinha o vento bater e quase balançar, bagunçar, mas nada não rodava não. Resistência e flexibilidade. No máximo balançava com ritmo de pêndulo teimoso e depois quando parava o vento, voltava pro lugar pregado. Tudo é que devia de ser assim.
Todo esse mundo caótico devia era ser pregado no varal. Não teria mais nada de móbile do universo com esse monte de planeta girando e rodopiando em volta do sol. Bate um ventinho mais forte e os fios se enroscam todos, colisão, colisão, colisão. Caos. Imprevisibilidade. E 2012.
Todo esse mundo caótico devia era de ser pregado no varal. Já falei pra mamãe tirar aquele móbile do berço...
Monday, December 21, 2009
No varal
Lá vai-se embora meu mundo sem mim...
Subscribe to:
Post Comments (Atom)

2 comentários:
Eu ia falar dos calos...
Mas acho que, então, se há permissão de usar tuas palavras, se espera que após o calo, a ferida arda e faça chorar... e depois, nos faça tomar cuidado com passos muito longos ou muito curtos.
Quer dizer, depois do calo, vem o aprendizado como consequência?
E há essência de universo?
As coisas penduradas ocupam menos espaço, são mais práticas
=]
Post a Comment