
Prendeu a respiração aguardando o instante próximo que enfim seria presente. Desembrulhava o futuro com um zelo tão grande e primoroso (de quem teme rasgar com o embrulho a surpresa e então prolonga a ação temendo na verdade o próprio conteúdo) que o presente de repente já não o era mais. Passado em laçarotes e papel colorido, todo "agora, agora, agora" era só o que foi sem nada ser:
presente violado do futuro ao passado.
Ela não aprendia que toda vez que continuava a esperar pelo que ia acontecer no instante seguinte:
nada aconteceria.
3 comentários:
A eterna mania de prever o futuro. Estranho a gente saber que ele está logo ali, mas que não fazemos ideia do que ele trará, quando se tornar presente. E essa aflição vai fazendo com que ele flutue entre as duas palavras.
Abre logo! Rasga o papel e aproveite, amiga! Estaremos aqui, ainda, se o brinquedo não for legal!
=*
Obg pelos pensamentos positivos.
:D
Interessante o uso duplo da palavra "presente"... :)
Não deixa de ser verdade que se esperamos muito muito muito, pode ter se superestimado o que esperávamos... porém existe uma vantagem enorme em esperar o melhor: lutamos por que esperamos isso. A vontade de ganhar um jogo que já nasce perdido é inexistente!
E lembre de Nietzsche, que orientava seus amigos à passarem por maus momentos, pois neles que se há a maior chance de crescer! Ou seja, de uma forma ou outra, há muito o que se aproveitar da consequência.
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