Thursday, September 09, 2010

Durian

Tenho um problema. Dos grandes.
Tentei diversas vezes escrever e não consegui. Fiquei com medo. Pensei, talvez, que minha capacidade de olhar pras coisas e pensar sobre elas tivesse sido extinta. Como quem abre uma janela pra querer refrescar o ar parado de uma sala e acaba por apagar a chama de uma vela por causa do turbilhão de uma corrente de ar que invade o espaço.
Eu precisava mesmo de uma corrente de ar. Mas o que entrou quando abri essa janela foi um tornado. Gigantesco, furioso, que carregava a vida do mistério do universo em seus rodopios. Pronto, pensei. Não tenho mais nem aquela chamazinha que era a única coisa que iluminava todo aquele quarto confuso e desarrumado (mal iluminava, mas ao menos aquela luz amarela permitia ver esboçados vultos). Estou no escuro. Sozinha. Silêncio. Imobilidade.
Sorrio.
Não tenho mais a tarefa de descrever todo aquele tufão. Sei bem que foi um recado da Via Láctea.
Não tem como descrever o indizível.

2 comentários:

Alberto K. said...

Ah, as palavras...
Um matemático hábil (ou seja, não eu! haha) diria que um texto, em realidade, é basicamente uma das quase infinitas combinações de letras que existem no alfabeto (de letras, por que senão como apareceriam os neologismos?). Na teoria, isso encaixa bem, apesar de todo o misticismo da escrita sumir... mas na prática... na prática é só um teorema verdadeiro, mas inútil!

Acho que, talvez, quando a gente não vê o lado de trás do muro, fica matutando muito, imaginando a cor, se tem bolas coloridas descuidadosamente jogadas ali, se há musgo... enfim... profetizamos e daí... só há tijolos... e mesmo que houvesse o que profetizamos... haveria um espanto e depois... nada. Um anti-climax... e depois, procuramos outros muros, e começamos de novo! A correr atrás das reticências de conclusão e de pensamento...

Talvez um dia vc tivesse dito: lá fora é assim, tem árvores, tem pessoas diferentes... e aí, vc viu... e aí, esvaziou-se o encanto inicial. Não que não tenha havido encanto... mas... acho que sedimentou um pouco. E ficou normal.

Mas, adoro jogadas metalinguísticas! hehe
Apesar de que, foi um desabafo e não um jogada.

Boas escrevinhações futuras!
Beijos!

victor pompêo said...

Algumas coisas são maiores que palavras.