Descobri que o excesso de saúde adoece e que a polidez impecável é má-educação das piores. Existe uma frieza na perfeição que ofende, arranha, mata qualquer humanidade. Às vezes o descontrole é sinônimo de cuidado e a briga, manifestação suprema da atenção. Quem se importa exige sempre mais de nós. E quem exige mais, é porque é capaz de perder tempo rememorando detalhezinhos e projetando, planejando um futuro do qual quer participar, meter o bedelho, palpitar e insinuar.
O realmente se importar é abrir mão de protocolos, é permitir-se a liberdade da intimidade. A solenidade é arma de quem quer preservar o espaço, é a diplomacia de uma guerra fria em que não há perdedores ou ganhadores: é a imobilidade da indiferença, o reinado da frieza distante.
Na vida, tudo que é estático não é natural. Se não acrescentou ou mesmo desfalcou algo em nós, não paga a conta sequer do arrependimento. Antes a derrota do que o não afetar ou ser afetado. Transformação é conseqüência: significar é dádiva dos atentos.
‘É bom perder-se bem acompanhado’
O que nos faz bem é o que nos inspira.
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