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| imagem via: Audrey Kawasaki |
Existem momentos em que o mundo pára de rodar e as
borboletas dançam em câmera lenta no ar. Momentos em que o tempo subsiste
dentro de um segundo que parece infinito e estamos todos submersos numa
liquidez imprevisível, afogando em nossas próprias ideias.
Nessas horas agradeço por ter barbatanas e guelras. Pairo
por sobre todo o meu próprio universo e reino imperceptível no contratempo
dessa outra dimensão. Tento pescar as leis, mas a elas nada atrai que seja
pendurável num anzol. As regras devem ser recriadas e eu não sei inventar nada
que não seja discutível e duvidoso. Embora reine.
Quando escapo do instantâneo líquido e, enfim – respiro –
ninguém, nenhum deles prestou atenção ou percebeu que eu acabara de voltar de
uma viagem distante, bem distante. Mesmo eu estando a carregar pesadas bolsas
da viagem e a mantê-las debaixo dos olhos. É imperceptível.
- O que foi?
Então balanço a cabeça – movimento padrão de quem acaba de sair
de um profundo mergulho - e sorrio da forma mais banal possível “nada”.
E me concentro em retomar o exercício dos pulmões e da
pleura. Nos últimos tempos tem sido tão mais fácil respirar por brânquias, que
vez ou outra me pegam com um olhar de peixe morto vislumbrando qualquer coisa
distante num horizonte entre uma gargalhada despretensiosa e outra – naqueles desprotegidos
milésimos de segundo em que se está com a guarda baixa.
Não
faz mal. Aprendi muito rápido a retomar o posto e o mais importante – a sorrir
voluntariamente.

1 comentários:
Saudades mor de ler estas linhas sempre tão inicialmente despretensiosas mas que sempre acabam por suscitar muitas idéias!
Sempre penso comigo: se um dia eu conseguir criar algo que não seja discutível (talvez exceto essa própria norma, devido a fins de lógica interna), estarei redondamente enganado!
E, realmente, estas viagens parecem ser apenas um momento de distração para quem vê, mas quem está nelas, pode tomar um período extremamente discrepante para a visão alheia!
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