Sempre quando parecia que de repente, os pés perdiam o chão, abaixava devagarzinho por precaução e se estirava ali, onde não se ultrapassava em queda. Invadissem o quarto e veriam um ser estirado no chão a olhar o teto branco, a de repente sentir a percepção de um mundo de gigantismos. Funcionava bem. Era como um desmaio voluntário. Não esperava a obrigação da inconsciência: se largava ali ao solo por uns minutos, por deliberada escolha.
O chão estava ali ainda. Sentia pelas costas. Espalmava os dedos grudando-se no plano. Impensável. Os pés a dizerem que o tinham perdido. Ma che brutta figura! Não se pode nunca confiar nas solas dos próprios pés. Dançarinos atrapalhados. Errantes. E reticentes.
Sabia que isso na verdade era hábito de infância - de quem achava que ao dormir na parte debaixo do beliche, estava era se escondendo debaixo da cama.
A maldição imposta é de que repetirei minha infância até me enjoar de crescer.
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