Existe uma
faísca divina quando me boto a rabiscar, a criar e a escrever. Penso que o
papel e a tinta foram mais úteis aos mortais do que o fogo que nos trouxe Prometeu.
Que Zeus descanse em paz com sua labareda: o que eu preciso é só de uma bic e
folhas vazias.
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Queria saber
escrever poemas. Escrever poemas é filtrar a essência, dizer só o que realmente
importa. Depois penso mais um pouco e tenho medo. As palavras pra mim sempre
saíram exatamente porque eu não sabia como dizer o que se queria dizer. A
partir do momento que eu souber, não me sairá nenhum poema
– e tudo será silêncio.
– e tudo será silêncio.
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Quando se ama e
se é amado, o mistério do mundo toma a forma concreta. E mesmo mantendo-se
segredo, já não se incomoda com ele: permite-se que continue indecifrável.
Prefere-o assim: perto e incompreensível. Uma sabedoria tranqüila toma conta de
nós; não temos mais a necessidade de explicações viciantes ou filosofias
pretensiosas. Tudo de repente começa a bastar. É uma doçura de contentamento. É
quando fazemos as pazes com o universo e com o que há de mais ousado e corajoso
em nós.
1 comentários:
Sempre te achei tão clariceana.
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