O céu quando se tinge de anoitecer, bem no final da tarde. Eu não sei se é a alma ou se é a busca, sinto a urgência de me desvendar bem ali naquele momento. Naquele prazo do céu. Antes de fechar mais um dia e o enigma todo se reorganizar na madrugada do sono e eu já ser outra na manhã seguinte.
Mas aí. O pôr do sol.
E eu ainda não tinha descoberto.
O coração ainda dando coices no tórax.
Por dentro.
Esse cavalo selvagem.
É cansativo. É estranho.
É inconveniente.
Tenho a escrita cansada. As palavras perdidas. As frases curtas, porque minha alma ofega. Não aguenta mais períodos longos. Tem pressa. Tem urgência.
Meus dedos são pulmões de fumante. Que exageraram de aspirar a sujeira do grafite dos lápis. Soprando anotações nebulosas no moleskine a tiracolo. Carbono. Se fosse outra composição. Meus dedos estariam com diamantes. Mas apenas coleciono obsessões
pelo inesperado.
E me borrei de carvão.
(dos rabiscos amassados de Junho de 2015)
1 comentários:
Fico pensando se desde 2015 seu coração parou. Ou se ele continua rabiscando escondido e você deixou de querer compartilhar. Em todo caso: bom te ler de novo!
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