Saturday, April 07, 2018

Algum interpretador de sonhos?



Eu estava andando numa terra desconhecida e tinha botinas. Nas costas uma mochila com quase nada. Eu respirava paz na brisa. E eu falava mil línguas diferentes. Tantas que nem lembrava qual era a minha língua materna.

Era um parque. Num outono. Fazia vento frio e folha caindo. Eu fazia o que sempre gostei de fazer quando é outono: pisar nas folhas enroladinhas e secas daquelas que fazem barulho quando pisadas.

Aquilo que não grita quando pisado não merece nem a pena.

Meu cachecol parecia que ia me enforcar de calor na nuca e eu tinha paz. As pessoas passavam com passos apressados nas calçadas, mas eu tinha paz.


===

nota: A verdade é que eu nunca consegui deixar esse espaço, mas me aposentei dele voltando de vez em quando, na frequência de quando a gente abre um baú cheio de fotos antigas e se enche de nostalgia lembrando que aqueles sim, eram bons tempos. Tempos em que eu me permitia sonhar.

Mas eu quero me permitir também agora. Afinal, nunca deixei de ser a otária que acredita em mundos onde os pequenos detalhes comunicam poesia. Nunca deixei de procurar por pessoas que falassem essa língua. Por olhos que se permitissem enxergar ao invés de só serem sedados pela luz da tela de um smartphone. Por papos raros, que de tão raros, quando acontecem, abraçam a alma e nos esvaziam do peso que nem sabíamos que arrastávamos com o pesar das nossas pálpebras.

Eu ainda sou essa otária. Nada mais justo que retornar.

Eis-me aqui, ainda sonhadora. Ó ela resiste. ainda em 2018. Ela ainda insiste 
- em sonhar.

1 comentários:

Anonymous said...

Não deixa nunca de sonhar. Te acompanho! SEMPRE.