Thursday, June 12, 2008

Sobre o amor e outros demônios

A despeito dos céticos e de todas as provas científicas e empíricas de sua não existência, eu acredito no amor.

Um amor à minha concepção, é verdade... mas acredito.
E considerem-me pretensiosa ou até mesmo arrogante: eu só sei amar como sinto, e só sei refletir sobre o que percebo.
O amor não é... ele está para cada um de nós. É um sentimento num eterno devir, que nunca é: apenas está. Em constante transformação - porque é vivo.

Sentimentos estanques para pessoas estanques. De barreiras já me bastam minhas próprias limitações. Meus ideais me permitem explodir, ser infinita, ser enorme. É neles que transcendo meus próprios defeitos, me dispo de toda barreira, me liberto de todos os medos.
Libertação. Ser livre e praticar o livre arbítrio. Amar não é prisão. Se torna prisão.

Para aqueles que não sabem sobreviver ao caos inerente à independência e à possibilidade de tomar suas próprias escolhas e ser impactada com as dos outros, o ciúme doentio. O amor não é obsessão anestésica pra angústia de não saber como viver e pra onde ir. Mas é mais fácil viver dentro dos limites de regras absurdas do que ter o infinito de possibilidades a escolher. A escolha consciente atormenta.

Amar é escolher livremente a cada segundo estar ao lado de alguém sabendo que tem nas mãos a liberdade de ir embora quando quiser. Mas querer ficar.

A liberdade do “não” valoriza a escolha do “sim”. Amor é a consciência da escolha livre do outro. E por isso se torna mais valorosa.

Para aqueles que pouco acreditam em si, a intolerância e o orgulho. Porque amar é estar vulnerável. Abrir mão dos medos que sustentam o próprio ego nos faz crescer. O limite é só o chão. Temos ainda joelhos para nos levantar.

Mas amor não é doação altruísta. Amor é interesse. Continuamos a negar o interesse, reservando a ele o lugar mais sujo em toda e qualquer moral nobre. Vejo o amor tendo seu sentido somente no interesse. O altruísmo é muleta para os cegos: eles amam espectros ideais. Quem não ama a si mesmo pode saber o que é amar o outro?

Amor é interesse. Interesse em estar do lado de alguém que se admira, se respeita e se critica. Alguém que não é perfeito como nós mesmos não o somos. Amar é interesse em crescer e saber que aquela é a pessoa certa para estar do nosso lado em todo e qualquer momento. É troca. Quando não há mais interesse, quando o outro não justifica o sentido para o amarmos, a continuidade é simples comodidade. O status quo nos governa se permitirmos. E isso pode ser tudo, menos amor.

Amor não é desejo. Desejo só consiste na falta eterna de. O desejo mata-se a si próprio quando realiza-se. Sua essência é suicida. Não há amor justificado em desejo: passa.

Amor é escolha. Irracionalidade e passionalidade não são seus elementos. E há pessoas que relacionam essas características com sua veracidade e pureza. Amor sem escolha consciente é imaturidade.

Porém não pensem que digo que o amor seja só lucidez e razão. Sobre a frieza racional de alguns, o desencanto de muitos anos. O amor não é racional, ele é a arte de aprender uma nova razão.

Se eu te dissesse no início: o amor é escolha consciente, liberdade de ir e vir, coragem da vulnerabilidade, fundado no interesse, avesso ao altruísmo, que não possui relação nenhuma com o desejo e é independente da irracionalidade, mais ainda, que é uma nova racionalidade, nem eu mesma acreditaria.




Mas o dia de hoje me fez pensar. E nesse amor que eu descrevi... nesse eu acredito.

3 comentários:

Marcela Brunelli said...

Não li inteiro. Tive que parar pq a vida corrida QUE EU NÃO AMO quis assim. E não sei se ela tb quis que a gente ficasse tanto tempo sem se ver, mas.. aconteceu.
Saudade das nossas discussões sobre a existência ou não do amor. Lembro que vc disse que não acreditava nele. E eu, tonta, fazia vc parar com isso. Lembra a qual conclusão chegamos? Eu lembro...

Amo vc. E nisso eu acredito. To com saudades absurdas e precisando das nossas conversas, desabafos, choros, risadas, abraços. Precisando da nossa amizade aqui por perto.

Um beijo.

Anonymous said...

o amor aprisiona
machuca
estraga.

mas é meu melhor remédio.

[tabita] said...

que delícia!