Monday, August 25, 2008

No Jardim das Hespérides, uma maçã que não era de ouro.


Mordeu a maçã pela audição e saboreou aquele som único da fruta que fizera Adão pecar, Deus ficar furioso e Isaac Newton descobrir a gravidade.


A maçã tinha perdido seu posto de fruta predileta para a mania suculenta de melancia. Desde aquele certo dia, a fruta era proibida. Uma tentativa infeliz de tentar reencontrar um Éden contemporâneo, consertar milênios de castigos divinos e viver feliz para sempre.


Agora mordia o vermelho vivo com vontade. Que fosse o pomo da discórdia. Reivindicava o prêmio disputado entre as deusas do Olimpo – se sentia a mais bela e não esperaria um príncipe que escolhesse a quem dedicar as honras. Matou Afrodite e reinventou a Guerra de Tróia.




Era uma guerreira.

2 comentários:

Anonymous said...

Até os melhores guerreiros caem.
Os que não são derrotados por outros, são derrotados por seus próprios defeitos ou por sua idade.
Vença teus defeitos e não deixe que o tempo passe sem que você faça nada.

João Francisco A. Enomoto said...

Nada literário meu comentário, mas eu lembro que quando eu pûs aparelho a maçã se tornou pra mim o fruto proibido. E isso porque cada mordida que eu dava na cuja deixava metade dela entre o aparelho e meus dentes! Hahaha!

E não há ser humano que não deixe de lado sua melância para atacar, mesmo que por capricho, a mais pecaminosa de todas as maçãs. Faz parte do nosso legado como filhos de Adão e Eva.

Beijos!